sábado, 15 de fevereiro de 2014


Manifesto em defesa das árvores de Porto Alegre

Tipuana derrubada na Usina do Gasômetro. (Foto: Facebook)

Manifesto em defesa das árvores de Porto Alegre

Estamos presenciando um verdadeiro “arboricídio” em Porto Alegre. A cidade que um dia se orgulhou de ser uma das mais verdes do país sofre, a cada ano, com a remoção de milhares de árvores. Os dados mais recentes divulgados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), referente a 2012, registra a derrubada de 4.061 árvores naquele ano, número que, segundo a Smam, deve se repetir na contabilidade de 2013.
São dados que a Agapan, entidade de defesa do ambiente natural com mais de quatro décadas de atuação, lamenta profundamente.

O argumento de defesa utilizado pela Smam, de que no lugar das árvores suprimidas, muitas outras foram plantadas (em 2012, teriam sido 26 mil mudas, todas no Parque Saint Hilaire) não é convincente: há indicativos de que boa parte dessas plantas morrem muito antes de se tornarem adultas, o que, de qualquer maneira, só ocorre após 20 ou 30 anos de cultivo adequado. Além disso, essas mudas estão distantes das áreas das árvores suprimidas. Ou seja, a sombra e a umidade, que tanto nos fazem falta em dias cálidos, ou a penetração das raízes no solo, que permite evitar ou reduzir os efeitos locais de chuvas intensas – os alagamentos, por exemplo –, só alcançarão níveis semelhantes aos daqueles exemplares que nos foram sonegados pelo poder público dentro de algumas décadas. Isso, claro, se novas demandas de obras não a cortarem no futuro para viabilizarem novas obras.


Obra na avenida Plínio Brasil Milano sem travessia de pedestres
e sem ciclovia no projeto. (PMPA)
Nos próximos meses, em consequência das reformas, que recebem a falsa alcunha de “obras de mobilidade urbana”, 1500 árvores da Vila Tronco e mais centenas de vegetais de outros pontos da cidade serão suprimidos, de maneira que nós, os habitantes de Porto Alegre, iremos enfrentar de uma única vez um impacto ambiental inédito em nossa cidade.

O “desenvolvimento” proposto pelas administrações públicas é anacrônico e autodestrutivo, porque é direcionado ao constante aumento do uso de veículos poluentes e contra a preservação das árvores, que têm o poder de sequestrar o CO2 da atmosfera e refrescar os ambientes onde estão inseridas, climatizando microclimas e melhorando o ar.

Propaganda de transformação "Verde para o Bairro" da Prefeitura Municipal.
(Foto: Agapan)
Se essa proposta vingar, vamos trocar o pouco que ainda resta de ambiente natural por vias expressas, pontes estaiadas, viadutos que irão alterar a paisagem. Passaremos a viver em uma cidade árida, poluída, abafada e alagada com uma frequência muito maior àquela a que estamos acostumados.

Pior ainda: segundo estudos divulgados pelos pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA), o ar de Porto Alegre já é duas vezes mais poluído do que o recomendado pelos padrões internacionais. Em alguns momentos do dia esse índice é ainda mais preocupante.

Quanto mais árvores suprimirmos, mais ficaremos expostos a doenças que a Organização Mundial de Saúde (OMS) associa à contaminação do ar: câncer de pulmão e de bexiga e distúrbios cardiorrespiratórios. A OMS também alerta que a redução do ar puro no ambiente urbano pode provocar nascimentos prematuros.

O caminho sugerido pelo Executivo municipal é suicida, sem volta. Por isso, não podemos concordar com o andamento das obras públicas de Porto Alegre, que destroem o que é importante para erguer concreto e asfalto.


Nesse modelo escolhido pelos administradores, nem arrancando todas as árvores de Porto Alegre resolveremos o problema da falta de pistas de rolamento, visto que o número de automóveis cresce dia a dia, tanto pelo incentivo do governo federal, que reduz impostos sobre esses produtos, quanto pelo aumento do poder aquisitivo de parte da população. A frota de veículos do RS ultrapassou a marca de cinco milhões de veículos em circulação no ano de 2011, segundo dados dos Detran RS. Nesse ano (2014), devemos ter mais de seis milhões. Nesse ritmo, a média de crescimento da frota fica em um milhão de veículos a cada três anos.

Também anda na contramão a falta de investimento público e incentivo ao uso do transporte coletivo de boa qualidade em detrimento do individual. Para ampliar o problema, seguimos sem o cumprimento do Plano Diretor Cicloviário, que prevê a instalação de 400 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas em Porto Alegre.

As manifestações públicas do inverno de 2013 na capital gaúcha registraram a insatisfação da população porto-alegrense, que se mostra crescente a cada novo bosque derrubado para a duplicação de uma via expressa.


Jovem sobe na Tipuana da Usina do Gasômetro em fevereiro de 2013. ( Foto: Facebook)

Antes disso, em fevereiro de 2013, três jovens subiram em uma Tipuana diante da Usina do Gasômetro para impedir a derrubada das 110 árvores para uma obra de mobilidade da Copa do Mundo 2014. A prefeitura não apenas prendeu os 27 acampados que se mobilizaram pela preservação desse bem natural e comum, como, apesar do engajamento de uma parcela substancial da população através de redes sociais e de audiência pública, jamais aceitou alterar o projeto com as sugestões da cidadania.


Acampamento e defesa das árvores da Usina do Gasômetro. (Foto: Cardia)
Infelizmente, este não é o único exemplo da falta de diálogo e de prestação de contas da atual gestão municipal. Basta consultar o Portal da Transparência da Prefeitura de Porto Alegre para constatar, por exemplo, que ao invés de promover Estudos de Impacto Ambiental para as 14 obras da Copa do Mundo, como prevê a legislação no caso de alterações de grandes proporções no ambiente urbano, foram realizados apenas três Relatórios Ambientais Simplificados (RAS), que, como o nome já diz, são incompletos e geram desconfiança – ainda mais depois de presenciarmos a prisão de secretários de Meio Ambiente de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul na Operação Concutare da Polícia Federal, que investigou a venda de licenças ambientais em obras de grande porte.

Parece-nos, portanto, que nossos gestores optaram pela forma menos democrática de empreender projetos urbanos, sem considerar os apelos dos moradores, técnicos em mobilidade como os arquitetos e nós, os ambientalistas.

Por isso, a Agapan se manifesta contrária à derrubada de árvores que vem ocorrendo em Porto Alegre em função de projetos urbanísticos e obras que não foram devidamente discutidas e solicitadas pela sociedade porto-alegrense.

Refazer tais projetos com vontade de diminuir erros e buscar alternativas sustentáveis é o que a cidadania espera e irá aplaudir. Não é vergonha para um administrador voltar atrás, pelo contrário, seria uma corajosa demonstração de boa vontade e preocupação com o futuro de uma cidade.

Defendemos um modelo de cidade autônoma, harmônica, socialmente justa e ecologicamente sustentável. Acreditamos em um mundo desenvolvido que respeite as nossas riquezas naturais, nosso patrimônio cultural e ambiental. E lutamos por ele.

Solicitamos que as 1.500 árvores da Avenida Tronco, as oito árvores da Praça Júlio Mesquita, as 198 árvores da Anita Garibaldi, as 200 da Cristóvão Colombo e as 200 da Plinio Brasil Milano sejam preservadas em seus locais atuais. Nenhuma árvore a menos!

 Porto Alegre, 29 de janeiro de 2014.

Agapan – A Vida Sempre em Primeiro Lugar!

www.agapan.org.br
Contato: agapan@agapan.org.br

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Novembro: Realização do CBA-Agroecologia entra em contagem regressiva



A menos de 20 dias do início do VIII Congresso Brasileiro sobre Agroecologia, que acontece de 25 a 28 deste mês, em Porto Alegre, os preparativos estão acelerados. Palestras, conferências, oficinas, mostras audiovisuais e fotográficas, acampamento, atividades artísticas e pôsteres relatando diversas experiências na área vão apresentar o que agricultores, pesquisadores e estudantes têm realizado no Brasil e em outros países. Com o tema central “Cuidando da Saúde do Planeta”, a programação estará dividida nos seguintes eixos temáticos: 1) Agroecologia e Saúde Humana; 2) Reinventando a economia; 3) Diversidade como condição fundamental da saúde do Planeta; 4) Agroecologia como base para a educação; e 5) Saúde do Agrossistema.

O CBA-Agreocologia é realizado paralelo aos Seminários Estadual (XIII) e Internacional (XII) sobre Agroecologia. Nos quatro dias de Congresso, realizado no Centro de Eventos da Puc, serão apresentados 1.056 trabalhos orais e por meio de pôsteres. De caráter nacional e internacional, o número de submissões de artigos e relatos de experiências foi 25% superior aos inscritos na edição anterior. Os selecionados serão publicados na Revista Cadernos de Agroecologia, da ABA-Agroecologia, promotora do evento. (Segue link para acessar a lista com os trabalhos selecionados na categoria pôster e apresentação oral. Os trabalhos estão organizados pelos nomes dos artigos: http://www.cbagroecologia.org.br/images/posteres_ordenados_por_título.pdf e http://www.cbagroecologia.org.br/images/apresentações_orais_ordenadas_por_título.pdf). A listagem completa está no site http://www.cbagroecologia.org.br/trabalhos-aceitos.

OFICINAS
Entre as mais de 40 oficinas previstas para acontecer no Clube Farrapos, próximo à Puc, destaque para a organizada pela Agapan e pelo Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (Gea), que vai tratar do avanço dos transgênicos, contaminação do milho, problemas socioeconômicos gerados e o que está sendo articulado para recuperar os prejuízos. Participam desta oficina um pesquisador uruguaio, uma pesquisadora boliviana que trabalha na Noruega e uma jornalista brasileira que trabalha com estudos da soja. A oficina sobre os transgênicos será dia 26, no Clube Farrapos, durante a Tertúlia organizada pela Via Campesina.

Com a participação de diversos movimentos sociais, a ideia das oficinas é capacitar e proporcionar às pessoas um posicionamento em relação a diversos temas. Entre as oficinas propostas, estão também sobre Jardinagem de Guerrilha, Confecção de artesanato à base de fibra de bananeira, Composteira doméstica, Trilha de percepção e sensibilização ambiental e Pirâmide para práticas integrativas corpo-mente. As inscrições devem ser feitas no primeiro dia do Congresso (25/11). Veja as oficinas selecionadas para o evento pelohttp://www.cbagroecologia.org.br/images/AQUI%20oficina%20pro%20SITE.pdf

HOSPEDAGEM
Entre as opções de hospedagem previstas para durante o CBA-Agroecologia, há a possibilidade de acampar junto ao Clube Farrapos, próximo do local do evento, e a hospedagem solidária. A ideia é que esse grupo se autogestione e que os interessados se encontrem para viabilizar as hospedagens. Para isso, foi criada uma tabela online com as abas, no inferior da página, "posso hospedar" e "quero me hospedar", para facilitar a visualização das vagas e dos interessados. Segue os links: https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AqhOnFdbv-zXdHM1MDRleW1RVmVxdGM5R1AyR2xRX0E&usp=sharing#gid=1

Já o acampamento acontece no Clube Farrapos, onde será realizado o 5º Encontro Nacional dos Grupos Agroecológicos (5º Enga), paralelo ao VIII CBA-Agroecologia. Para esse espaço, a efetivação da inscrição individual garante alimentação, hospedagem em acampamento e participação nos dois eventos (com certificado). Para inscrições até 10 de novembro, R$ 100,00. Após e até a data do evento, R$ 120,00. As inscrições são limitadas e podem ser feitas pelohttps://docs.google.com/forms/d/1EghS6zo6ILq--mvuCq9nT5YeIhbUuOxzN8kxx64qIt0/viewform. Mais informações pelohttp://regabrasil.wordpress.com/5o-enga/inscricoes/

Grupo Público no facebook:https://www.facebook.com/groups/615159588527537/

Para os participantes, o CBA-Agroecologia oferece várias opções de hospedagem e de passeios, que podem ser acessados através do sitehttp://www.ligaturismo.com.br/eventos/188-viii-congresso-brasileiro-de-agroecologia. Atenção para os horários de transfer do evento, que deverá ser adquirido com antecedência para realização de reserva.

VÍDEO E SPOT PROMOCIONAIS


Estão disponíveis no site do CBA-Agroecologia (http://www.cbagroecologia.org.br/) o spot de rádio e o vídeo promocional, produzido pela Gerência de Comunicação da Emater/RS-Ascar. No link do spot de rádio, poderá ser feito o download do arquivo para ser utilizado por quem tiver interesse em veicular e promover o Congresso em sua rádio. Acesse pelohttps://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/118133015
Já o vídeo promocional, acesse pelo http://www.youtube.com/watch?v=PgmTvPA3APA

CADASTRO IMPRENSA E INSCRIÇÕES
Jornalistas interessados em participar do Congresso ou mesmo para entrevistar conferencistas, oficineiros e participantes, devem preencher o formulário de inscrição, no link abaixo:
https://docs.google.com/forms/d/1CWeFefBr9iJR-E725dfkmnIQmsOGevqVC4dQS8rhSDk/viewform
Com o cadastro efetuado, você poderá retirar seu crachá de imprensa durante o credenciamento do VIII CBA Agroecologia.
http://www.cbagroecologia.org.br/contato/imprensa
Para participar, as inscrições estão abertas e podem ser feitas através do sitehttp://www.cbagroecologia.org.br. O valor para estudantes é R$ 80,00 e para profissionais e técnicos, R$ 120,00. Agricultores e agricultoras estão isentos da taxa de inscrição.


Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar



Informações
Assessoria de Imprensa do VIII CBA-Agroecologia
Jornalista da Emater/RS-Ascar, Adriane Bertoglio Rodrigues

domingo, 10 de novembro de 2013

Agapan Debate na próxima segunda-feira dia 11/11


O que as cidades devem ter para que sejam consideradas ideias para se viver? Praças, árvores, ciclovias e espaços públicos com equipamentos esportivos e de lazer, ou com muitos carros, trânsito congestionado, poluição e doenças respiratórias?

Venha debater “A cidade que queremos”, tema do Agapan Debate do próximo dia 11, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. A entrada é gratuita.

Participam do Agapan Debate o arquiteto e presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RS), Tiago Holzmann da Silva, e Milton Cruz, sociólogo voltado para a análise da participação social em processos de elaboração de políticas públicas, como a política de planejamento urbano e a representação dos atores envolvidos. “Pretendo fazer uma reflexão sobre a coerência, ou não, das ações e dos meios disponíveis e utilizados para implementar a cidade que queremos”, antecipa Cruz.

Agapan Debate
Dia 11 de novembro, às 19h, na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs

Entrada Franca

sábado, 15 de dezembro de 2012

História de Vida

Pampa Bageense

Nasci em Bagé, fronteira sudoeste do Rio Grande do Sul, onde fiz a minha formação básica e a formação média e de nível superior em Porto Alegre.

Graduada  em Ciências Sociais e  pós-graduadação em Geografia. 

Sou professora da Rede Pública Estadual , onde dou aulas de Geografia, Sociologia e Seminário Integrado no Ensino Médio.

Participo do Movimento Ecológico Gaúcho, onde desenvolvo um trabalho voluntário a mais de 30 anos na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - AGAPAN. Represento a entidade em diversos fóruns.

Espero compartilhar no blogger temas que possam interessar a todos!