sábado, 13 de dezembro de 2014

Entidades Ambientalistas não querem Ana Pellini na SEMA


Manifesto de entidades ambientalistas contra a nomeação de Ana Pellini para a chefia da Sema 





Diante das especulações crescentes de que a Sra. Ana Maria Pellini possa assumir a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul (Sema), vimos expressar nossa profunda preocupação e protesto diante do iminente risco de revivermos uma avalanche de retrocessos caso este fato venha a se concretizar. Cabe destacar que esta pessoa foi responsável pela emissão de licenças que geraram inúmeras ações [1] em decorrência de desconformidades com a legislação ambiental, no período em que foi presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), entre maio de 2007 a setembro de 2009.

Para os funcionários do órgão, para o movimento ambientalista e também para todos aqueles ligados à área ambiental e que se esforçam no fortalecimento do Sistema Estadual de Proteção Ambiental (Sisepra) foi sem dúvida o período mais traumático e de retrocessos já vivido. Na época, por exemplo, houve a tentativa de deixar sem efeito o Zoneamento Ambiental da Silvicultura [2 3 4], com reversão na justiça [5], permitiu-se a emissão de Licenças Prévias [6] para grandes barragens, sem Estudos de Impacto Ambiental, contrariando-se a legislação vigente, emitiu-se LP para a quadruplicação da Aracruz contrariando-se pareceres técnicos [7], situações que geraram ações na justiça via entidades ambientalistas e Ministério Público, com derrotas constrangedoras para o Estado, além de outros conflitos internos e externos na tentativa de se flexibilizar licenças para grandes empreendimentos de alto impacto ambiental.

Consideramos inconcebível que se promovam pessoas que nunca tiveram vínculo anterior com a área ambiental e ficaram marcadas por transformar a Fepam, em lugar de um órgão gestor de meio ambiente, em um mero órgão despachante de licenças, com o agravante de irregularidades, que geraram processos judiciais também por assédio moral em licenciamentos, e outras situações absurdas que não podem ser esquecidas.

As entidades, o movimento ambientalista e a sociedade gaúcha como um todo veem crescer o descaso com a causa ambiental no Rio Grande do Sul e esperam respostas por parte do novo governo estadual no sentido de enfrentar os problemas ambientais mais urgentes, dentro de um processo de fortalecimento das políticas ambientais, principalmente na Sema, para garantir a qualidade de vida à população e resgatar a biodiversidade deste Estado, em situação de crise ecológica crescente.

Deste modo, parece-nos fundamental destacar que para chefiar a Secretaria Estadual de Meio Ambiente deva-se prezar, obrigatoriamente, por pessoas com formação mínima na área ambiental, além de se exigir um histórico de transparência e empenho na proteção do meio ambiente – e não uma mera flexibilização – e um bom diálogo com todos os setores e atores da sociedade, condições estas que são esperadas não só pelas entidades ambientalistas, mas por toda a sociedade gaúcha.

Reiteramos, assim, nosso repúdio às tentativas de retrocesso na área ambiental, cobrando-se da imprensa e do novo governo a indicação de nomes de pessoas com currículo e trajetória compatíveis com o cargo máximo de uma Secretaria que deve ter um papel estratégico para a integração e implementação de políticas públicas eficientes e duradouras numa área tão carente. A sociedade gaúcha exige pessoas mais preparadas para assumir este papel de importância vital, lembrando-se que o Estado do Rio Grande do Sul já foi pioneiro na área ambiental do Brasil.

Colocamo-nos à disposição para diálogo com a equipe do novo governo para tratar das demandas ambientais já destacadas em documentos prévios e posteriores às eleições e que esperam respostas da nova equipe que tratará da Política Ambiental do Estado em conjunto com as demais pastas.




Porto Alegre, 12 de dezembro de 2014

Assinam

InGá- Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Porto Alegre)
Agapan – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Porto Alegre)
ONG Mira Serra – Projeto Mira Serra (Porto Alegre)
CEA – Centro de Estudos Ambientais (Pelotas e Rio Grande)
Upan- União Protetora do Ambiente Natural (São Leopoldo)
MoGDeMA - Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (RS)

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

INGÁ OBTÉM LIMINAR NA JUSTIÇA PARA IMPEDIR MAIS UMA TENTATIVA DE FLEXIBILIZAÇÃO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL NO RS

InGá obtém liminar na Justiça para adiar deliberação sobre matéria de atualização da Resolução 102/2005 no Consema


Neste dia 17 de setembro de 2014, o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), entidade ambientalista no Conselho Estadual de Meio Ambiente do RS (Consema), obteve liminar, por meio de ação civil pública movida no Tribunal de Justiça do Estado, cancelando  a votação de propostas de atualização de Resolução 102/2005 do Consema. A liminar foi obtida, em ação elaborada pelo Advogado Marcelo Mosmann, por meio de decisão da juíza Nadja Mara Zanella, que garantiu prazo regimental para apresentação de manifestação de Conselheiros.

A situação deu-se a partir de uma reunião extraordinária do Conselho, ocorrida no dia 11 de setembro de 2014, em que tinha como pauta principal a apreciação da matéria que previa a atualização de Resolução 102/2005, que define atribuições em licenciamento municipal e tipologias de atividades a serem licenciadas pelos municípios. O Presidente do Conselho manteve a decisão de dar somente uma semana para nova deliberação (18 de setembro) após pedido de vistas pela entidade Mira Serra. O Ingá tinha apelado para mais um mês de prazo, devido à complexidade da matéria, inclusive que tem incidência em remanescentes da Mata Atlântica e campos nativos no Rio Grande do Sul, que podem ficar sujeitos a fragilidades de licenciamentos em municípios. De forma rápida, o presidente colocou sua proposta em processo de votação, sendo acolhida por maioria do plenário. 

A ação do Ingá se baseou no descumprimento dos artigos 4 da Resolução n. 64/2004 que assegura pelo menos 15 dias para avaliação da matéria e elaboração de parecer de pedido de vistas, situação que foi negada, disponibilizando-se por meio de decisão da Presidência do Conselho somente 2,5 dias úteis para a análise da matéria e entrega de pareceres. As entidades também  destacam o descumprimento do prazo de pelo menos 72 horas para disponibilização das matérias.

Na ação, a juíza admite que “não há dúvidas acerca do cerceamento do prazo para manifestação dos Conselheiros, já que cópia do projeto foi disponibilizada no dia 12 de setembro de 2014 às 14h e o prazo para eventuais alterações e sugestões encerrava-se no dia 16 de setembro às 12h”, e também destaca que “observa-se que a Secretaria do CONSEMA ao realizar as intimações não observou nenhum dos dois prazos supra citados. Deste modo, não respeitado o devido processo administrativo para a votação da nova resolução do CONSEMA em substituição a Resolução nº 102/2005, a matéria deve ser retirada de pauta, a fim que sejam respeitados os prazo regimentais com a possibilidade de vista e manifestação prévia pelos conselheiros."

Apesar disso, após as 18 h do dia 17 de setembro, a secretaria do Consema manteve comunicação, por email aos conselheiros, de que daria sequencia à reunião do dia 18, onde está prevista a discussão e deliberação sobre a matéria, encaminhando anexo com uma tabela, sem as manifestações de pedido de vistas das entidades que encaminharam seus pareceres em prazo estipulado.

Segue o despacho, a seguir



Julgador:
 
Nadja Mara Zanella

Despacho:
 
Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais ajuizou ação civil pública
contra o Estado do Rio Grande do Sul alegando que ocupa quadro de
representação da sociedade junto ao CONSEMA, o que ensejou a sua
intimação para participar de reunião extraordinária destinada a
avaliar proposta de resolução que substitui todo o sistema de
licenciamento ambiental municipal no Estado do Rio Grande do Sul. No
ato foi solicitado o pedido de vista da proposta, que foi deferida de
forma coletiva. Referiu que o procedimento adotado para avaliação da
proposta viola o Regimento Interno do CONSEMA, requerendo a concessão
de medida liminar para que a ré abstenha-se de deliberar a matéria
objeto do pedido de vistas na reunião marcada para o dia 18/09. Pelo
documento de fls. 21/23 observa-se que foi no dia 11 de setembro de
2014 às 21h36min foi encaminhado e-mail pelo Conselho Estadual do Meio
Ambiente abrindo o prazo para vistas do processo de alteração da
Resolução 102, constando no respectivo documento que o prazo para
encaminhar proposta de alteração expirava no dia 23/09 às 12h.
Contudo, no dia seguinte, foi encaminhado e-mail de ratificação
constando que todas as alterações e sugestões da Resolução 102 deverão
ser realizadas por escrito até o dia 16 de setembro às 12h. No mesmo
documento foi encaminhada intimação para reunião ordinária do CONSEMA
para o dia 18 de setembro de 2014 tendo como uma das pautas a
¿Apresentação e votação da nova resolução do CONSEMA em substituição
da Res. CONSEMA nº 102/2005 (...)¿ (fl. 22). Através do ofício nº
2028/2014 encaminhado pelo Ministério Público ao Secretário e
Presidente do CONSEMA, é possível constatar que no dia 15 de setembro
de 2014 foi realizada reunião no Ministério Público com ONGs,
representantes da FEPAM, do DEFAP e do IBAMA, no qual informada a
iminência de ocorrer ¿um cerceamento no direito de informação
ambiental e de participação popular no processo decisório envolvendo
as alterações da Resolução 102/205 do CONSEMA¿, solicitando a dilação
do prazo para manifestação escrita para que seja observada a Resolução
nº 64/04 do CONSEMA. O autor refere na inicial (fl. 06) que não foi
houve resposta do CONSEMA até as 12h do dia 16/09/2014 motivo pelo
qual encaminhou manifestação escrita em que justifica que a análise
ficou comprometida. Assim, não há dúvidas acerca do cerceamento do
prazo para manifestação dos Conselheiros, já que cópia do projeto foi
disponibilizado no dia 12 de setembro de 2014 às 14h e o prazo para
eventuais alterações e sugestões encerrava-se no dia 16 de setembro às
12h. Ressalto que, nos termos do art. 4º da Resolução CONSEMA 064/2004
¿O Conselheiro que retirar expediente e/ou processo administrativo
para vista deverá restituí-lo, com manifestação escrita, no prazo
máximo de 15 (quinze) dias do recebimento, respeitando o prazo de 5
(cinco) dias de antecedência à reunião em que a matéria será submetida
ao Plenário do Conselho¿. Assim, observa-se que a Secretaria do
CONSEMA ao realizar as intimações não observou nenhum dos dois prazos
supra citados. Deste modo, não respeitado o devido processo
administrativo para a votação da nova resolução do CONSEMA em
substituição a Resolução nº 102/2005, a matéria deve ser retirada de
pauta, a fim que que sejam respeitados os prazo regimentais com a
possibilidade de vista e manifestação prévia pelos conselheiros.
Assim, defiro o pedido de liminar para determinar que o demandado se
abstenha de deliberar acerca da nova resolução do CONSEMA que
substituirá a Resolução nº 102/2005 na Reunião Ordinária do CONSEMA
agendada para o dia 18 de setembro de 2014 às 14h. Expeçam-se mandados
de intimação ao Presidente do CONSEMA e ao Procurador Geral do Estado
dando conhecimento da presente decisão. Os mandados deverão ser
cumpridos hoje pelo Plantão da Central de Mandados. Cite-se.


 
http://viabiodiversa.blogspot.com.br/2014/09/inga-obtem-liminar-na-justica-para.html

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Propostas para a inclusão da questão ambiental nos programas de governo dos candidatos ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul – eleições de 2014.

Que Rio Grande queremos?


Propostas para a inclusão da questão ambiental nos programas de governo dos candidatos ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul – eleições de 2014.





Prezado candidato:


No evento Agapan Debate, realizado dia 11 de agosto de 2014, em Porto Alegre, tendo como foco temático a questão “Que Rio Grande queremos?”, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá), o Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) e o público presente contribuíram com as seguintes avaliações e propostas para serem levadas em consideração nos programas de governo dos candidatos a Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

O paradigma ecológico é do conceito contemporâneo mais avançado de desenvolvimento econômico e social. O estado do Rio Grande do Sul, reconhecido nacional e mundialmente pelo seu pioneirismo na defesa do ambiente natural, perdeu, a sua posição de protagonista em termos políticos e administrativos na área ambiental. Fomos pioneiros na mobilização da opinião pública e na criação de legislação e de órgãos públicos ambientais nas esferas dos poderes executivo, legislativo e judiciário. 


No entanto, os governos estaduais, ao longo dos anos, infelizmente, acabam orientando suas ações e decisões políticas e administrativas no sentido somente de agilizar licenças ambientais, muitas delas inviáveis, o que desqualifica o órgão máximo da política ambiental do RS, o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema); desmantela, desprestigia e sucateia a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e seus órgãos auxiliares (Fundação Estadual do Meio Ambiente Henrique Luís Roessler (Fepam); Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap); Fundação Zoobotânica (FZB). Chama a atenção, neste contexto, que a Sema teve doze secretários desde sua criação, em 1999. O fato de os cargos diretivos serem em grande parte ocupados por indicações meramente políticas originou práticas como a instauração dos “Balcões de Licenciamentos”, reveladas pelo escândalo público da “Operação Concutare” da Polícia Federal. Todo este retrocesso político e ineficácia administrativa desrespeitaram o invejável legado institucional conquistado através das lutas sociais que marcaram o processo de redemocratização do País.

O presente documento tem como objetivo sensibilizar os candidatos a Governador para a vexatória condição de indigência promovida por sucessivos governos que não assumiram, efetivamente, a questão ambiental como política de Estado. A sociedade gaúcha tem um saldo de mais de quatro décadas de discussão política voltada para o questionamento crítico dos aspectos predatórios do atual modelo de desenvolvimento econômico e social. 

Diante da complexidade da problemática ecológica, sem pretender englobar todos os seus aspectos, propomos algumas diretrizes na expectativa de que sejam levadas em conta nos programas de governo, o que não dispensará o diálogo permanente com a sociedade civil e com o movimento ecológico:
  • Abandonar o ultrapassado paradigma do crescimento econômico que vêm destruindo os ecossistemas e a sociobiodiversidade local e planetária, buscando-se outras formas de relação ecológica;
  • Cumprir, efetivamente, a legislação ambiental vigente e não permitir o seu desmantelamento;
  • Incrementar as atividades de diagnóstico, planejamento, fiscalização e licenciamento que constam nos documentos oficiais;
  • Promover políticas efetivas de proteção e preservação da biodiversidade do Bioma Pampa e da Mata Atlântica, implementando as Unidades de Conservação destes biomas;
  • Efetivar adequadamente o financiamento estadual de pesquisas na área ambiental;
  • Qualificar o corpo técnico dos órgãos ambientais, através da realização de concursos públicos, de maneira a suprir o déficit crônico de recursos humanos, indispensáveis ao cumprimento das tarefas;
  • Promover a dotação orçamentária compatível com as necessidades operacionais dos órgãos ambientais; 
  • Constituir um grupo permanente de trabalho voltado para a integração intersetorial das políticas públicas entre as diversas Secretarias de Estado, objetivando sintonizar suas ações com a Sema;
  • Desenvolver na Secretaria Estadual de Meio Ambiente uma cultura institucional propositiva, visando conquistar um espaço de autonomia, respeito e transversalidade para a questão ambiental no âmbito da administração pública do Estado; 
  • Adquirir e manter equipamentos para monitoramento da qualidade do ar, da água e do solo com a devida divulgação dos resultados;
  •  Fortalecer o controle público do saneamento básico e do abastecimento da água; 
  • Cumprir as determinações do Zoneamento Ambiental da Silvicultura (ZAS) e dar continuidade ao processo de elaboração do Zoneamento Econômico e Ecológico (ZEE);
  • Rever a composição atual do Consema, ampliando a representação das entidades ambientalistas, de forma a torná-lo compatível com suas finalidades institucionais; 
  • Eliminar progressivamente o uso de agrotóxicos, transgênicos, herbicidas e das monoculturas na agricultura revendo-se também os grandes projetos de irrigação que comprometem os ecossistemas naturais, visando à promoção de cultivos agroecológicos, da biodiversidade e da saúde pública;
  • Integrar políticas públicas da área ambiental com os problemas advindos da mobilidade urbana, atualmente baseada em combustíveis fósseis e transporte individual; 
  • Rever o modelo de desenvolvimento industrial que promove o setor automotivo e o consumo crescente de bens com obsolescência programada, ambos prejudiciais à população da forma como são atualmente;
  • Garantir o cumprimento de padrões internacionais para emissões, localizações e instalações de Estações Rádio-base ( ERBs) para torres e antenas de telefonia móvel, respeitando o princípio da precaução. 
  • Rever o modelo energético, com abandono dos atuais grandes projetos de hidrelétricas e de carvão mineral que estão destruindo o meio ambiente, invertendo as prioridades no incremento do uso de energia solar, eólica e outras fontes ambientalmente compatíveis com a manutenção da biodiversidade e da qualidade de vida humana. 
  • Promover, na educação pública gaúcha, um processo de conscientização ecológica, por meio de incentivos a projetos em redes comunitárias, capacitação profissional e ações que integrem os alunos ao seu contexto socioambiental; 
  • Promover o desenvolvimento local das comunidades, respeitando suas características culturais, modos de vida e integração com a natureza, resgatando identidades, saberes e fazeres associados aos ecossistemas.

Porto Alegre, 25 de agosto de 2014.

http://agapan.blogspot.com.br/p/que-rio-grande-queremos.html

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Crise Ecológica por Michael Löwy

Ecossocialismo. Por uma ecologia socialista. Entrevista especial com Michael Löwy

crise ecológica abre a possibilidade para um novo projeto político, econômico e social: o ecossocialismo, defendido pelo sociólogo brasileiro, radicado na França, Michael Löwy. A ideia central da proposta é romper com o capitalismo e transformar as estruturas das forças produtivas e do aparelho produtivo. “Trata-se de destruir esse aparelho de Estado e criar um outro tipo de poder. Essa lógica tem que ser aplicada também ao aparelho produtivo: ele tem que ser, senão destruído, ao menos radicalmente transformado. Ele não pode ser simplesmente apropriado pelos trabalhadores, pelo proletariado e posto a trabalhar a seu serviço, mas precisa ser estruturalmente transformado”, esclarece.
Crítico ao capitalismo verde, que pretende transformar o capital e torná-lo menos agressivo ao meio ambiente, Löwyacredita que a crise ecológica é mais grave do que a econômica, pois “coloca em perigo a sobrevivência da vida humana neste planeta”. Em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail, ele enfatiza que é preciso reorganizar o modo de produção e consumo, atendendo “às necessidades reais da população e à defesa do equilíbrio ecológico”. As economias emergentes devem se desenvolver, mas não precisam “copiar o modelo de desenvolvimento capitalista do Ocidente”, aconselha. “Se trata de buscar um outro modelo, um desenvolvimento ecossocialista, baseado na agricultura orgânica dos camponeses e nas cooperativas agrárias, nos transportes coletivos, nas energias alternativas e na satisfação igualitária e democrática das necessidades sociais da grande maioria”.
Michael Löwy é cientista social e leciona na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, da Universidade de Paris. Entre sua vasta obra, destacamos Ideologias e Ciência Social. Elementos para uma análise marxista (São Paulo: Cortez, 1985); As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen (São Paulo: Cortez, 1998); A estrela da manhã. Surrealismo e marxismo (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002); Walter Benjamin: Aviso de Incêndio. Uma leitura das teses “Sobre o conceito de história” (São Paulo: Boitempo, 2005) e Lucien Goldmann, ou a dialética da totalidade (São Paulo: Boitempo, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que o senhor entende por ecossocialismo? Quais as ideias principais dessa corrente?
Michael Löwy – O ecossocialismo é uma proposta estratégica que resulta da convergência entre a reflexão ecológica e a reflexão socialista, a reflexão marxista. Existe hoje em escala mundial uma corrente ecossocialista: há um movimento ecossocialista internacional, que recentemente, por ocasião do Fórum Social Mundial de Belém (janeiro de 2009), publicou uma declaração sobre a mudança climática; e existe no Brasil uma rede ecossocialista que publicou também um manifesto, há alguns anos. Ao mesmo tempo, o ecossocialismo é uma reflexão crítica.
Em primeiro lugar, crítica à ecologia não socialista, à ecologia capitalista ou reformista, que considera possível reformar o capitalismo, desenvolver um capitalismo mais verde, mais respeitoso ao meio ambiente. Trata-se da crítica e da busca de superação dessa ecologia reformista, limitada, que não aceita a perspectiva socialista, que não se relaciona com o processo da luta de classes, que não coloca a questão da propriedade dos meios de produção. Mas o ecossocialismo é também uma crítica ao socialismo não ecológico, por exemplo, da União Soviética, onde aperspectiva socialista se perdeu rapidamente com o processo de burocratização e o resultado foi um processo de industrialização tremendamente destruidor do meio ambiente. Há outras experiências socialistas, porém, mais interessantes do ponto de vista ecológico – por exemplo, a experiência cubana (com todos seus limites).

O projeto ecossocialista implica uma reorganização do conjunto do modo de produção e de consumo, baseada em critérios exteriores ao mercado capitalista: as necessidades reais da população e a defesa do equilíbrio ecológico. Isto significa uma economia de transição ao socialismo, na qual a própria população – e não as leis do mercado ou um “burô político” autoritário – decide, num processo de planificação democrática, as prioridades e os investimentos. Esta transição conduziria não só a um novo modo de produção e a uma sociedade mais igualitária, mais solidária e mais democrática, mas também a um modo de vida alternativo, uma nova civilização, ecossocialista, mais além do reino do dinheiro, dos hábitos de consumo artificialmente induzidos pela publicidade, e da produção ao infinito de mercadorias inúteis.
IHU On-Line – Em que consiste o Manifesto Ecossocialista Internacional?
Michael Löwy – O Manifesto Ecossocialista Internacional, redigido em 2001 por Joel Kovel e por mim, foi uma primeira tentativa de resumir, em algumas páginas, as ideias principais do ecossocialismo, como projeto radicalmente anticapitalista e antiprodutivista, e como crítica às experiências socialistas não ecológicas do século XX.
IHU On-Line – A tentativa de aplicar o socialismo no mundo fracassou. Será possível vingar o ecossocialismo? Por quê?
Michael Löwy – As experiências de corte social-democrata fracassaram porque não sairam dos limites de uma gestão mais social do capitalismo e, nos últimos anos do neoliberalismo, as experiências de tipo soviético ou stalinista fracassaram por ausência de democracia, liberdade e auto-organização das classes oprimidas. As duas tinham em comum uma visão produtivista de exploração da natureza, com dramáticas consequências ecológicas.
O ecossocialismo parte de uma visão crítica destes fracassos e propõe um projeto democrático, libertário e ecológico. Nada garante que possa vingar. Depende das lutas ecossociais do futuro.
IHU On-Line – Sob quais aspectos a crise ecológica é mais grave do que a econômica?
Michael Löwy – A crise econômica tem consequências sociais dramáticas – desemprego, crise alimentar etc. –, mas a crise ecológica coloca em perigo a sobrevivência da vida humana neste planeta. O processo de mudança climática e aquecimento global, provocado pela lógica expansiva e destruidora do capitalismo, pode resultar, nas próximas décadas, numa catástrofe sem precedente na história da humanidade: desertificação das terras, desaparecimento da água potável, inundação das cidades marítimas pela subida do nível dos oceanos etc.
IHU On-Line – Como pensar em ecossocialismo se a Modernidade é capitalista? Seria
o ecossocialismo uma proposta para romper com o capital?
Michael Löwy – Absolutamente! Uma das ideias fundamentais do ecossocialismo é a necessidade de uma ruptura com o capitalismo. Uma ruptura que vai mais além de uma mudança das relações de produção, das relações de propriedade. Trata-se de transformar a própria estrutura das forças produtivas, a estrutura do aparelho produtivo. Há que aplicar ao aparelho produtivo a mesma lógica que Marx aplicava ao aparelho de Estado a partir da experiência daComuna de Paris, quando ele diz o seguinte: os trabalhadores não podem apropriar-se do aparelho de Estado burguês e usá-lo a serviço do proletariado; não é possível, porque o aparelho do Estado burguês nunca vai estar a serviço dos trabalhadores.
Então, trata-se de destruir esse aparelho de Estado e de criar um outro tipo de poder. Essa lógica tem que ser aplicada também ao aparelho produtivo: ele tem que ser, senão destruído, ao menos radicalmente transformado. Ele não pode ser simplesmente apropriado pelos trabalhadores, pelo proletariado e posto a trabalhar a seu serviço, mas precisa ser estruturalmente transformado. É impossível separar a ideia de socialismo, de uma nova sociedade, da ideia de novas fontes de energia, em particular do Sol – alguns ecossocialistas falam do comunismo solar, pois entre o calor, a energia do Sol e o socialismo e o comunismo haveria uma espécie de afinidade eletiva.
IHU On-Line – Como o ecossosialismo pode se sustentar em economias emergentes, que ainda não conquistaram um status de bem-estar social das economias desenvolvidas?
Michael Löwy – As economias dos países do Sul, da Ásia, África e América Latina devem se desenvolver, mas isto não significa copiar o modelo de desenvolvimento capitalista do Ocidente e seu padrão de consumo insustentável. Trata-se de buscar um outro modelo, um desenvolvimento ecossocialista, baseado na agricultura orgânica dos camponeses e nas cooperativas agrárias, nos transportes coletivos, nas energias alternativas e na satisfação igualitária e democrática das necessidades sociais da grande maioria. O modelo ocidental não so é absurdo e irracional, mas não é generalizável: se os chineses quisessem imitar o American way of life, cinco planetas seriam necessários.
IHU On-Line – A humanidade deve preocupar-se com o ecossocialismo ou com o capitalismo verde?
Michael Löwy – O capitalismo verde é uma contradição nos têrmos. A lógica intrinsecamente perversa do sistema capitalista, baseada na concorrência impiedosa, nas exigências de rentabilidade, na corrida pelo lucro rápido, é necessariamente destruidora do meio ambiente e responsável pela catastrófica mudança do clima. As pretensas soluções capitalistas como o etanol, o carro elétrico, a energia atômica, as bolsas de direitos de emissão são totalmente ilusórias.
Os acordos de Kyoto, a fórmula mais avançada até agora de capitalismo verde, demonstrou-se incapaz de conter o processo de mudança climática. As soluções que aceitam as regras do jogo capitalista, que se adaptam às regras do mercado, que aceitam a lógica de expansão infinita do capital, não são soluções, são incapazes de enfrentar a crise ambiental – uma crise que se transforma, devido à mudança climática, numa crise de sobrevivência da espécie humana. Como disse recentemente o secretário das Nações Unidas, Ban Ki Moon: “Estamos correndo para o abismo com os pés colados no acelerador”.
IHU On-Line – Em que sentido a crise ecológica atual pode ser entendida como um
problema de luta de classes?
Michael Löwy – Por um lado, a crise ecológica é um problema de toda a humanidade, pessoas de várias classes sociais podem se mobilizar por esta causa. Por outro lado, as classes dominantes são cegadas por seus interesses imediatos, pensam exclusivamente em seus lucros, sua competitividade, suas partes de mercado e defendem, com unhas e dentes, o sistema capitalista responsavel pela crise. As classes subalternas, os trabalhadores da cidade e do campo, os desempregados, o pobretariado têm interesses conflitivos com o capitalismo e podem ser ganhos para o combate ecossocialista. Não se trata de um processo inevitável, mas de uma possibilidade histórica.
IHU On-Line – Nas últimas conferências do clima, em Copenhague e Cancun, os movimentos sociais e ambientalistas fracassaram? Por que não se vê perspectiva de avançar nas lutas ambientais?
Michael Löwy – O que fracassou em Copenhague e Cancun foram as políticas dos governos comprometidos com o sistema, que demonstraram sua total incapacidade de tomar qualquer decisão, mesmo a mais ínfima, no sentido de buscar reduzir significativamente as emissões de CO2, responsáveis pelo aquecimento global.
A manifestação de cem mil pessoas nas ruas de Copenhague nem 2009, protestando contra o fracasso da conferência oficial, com a palavra de ordem “Mudemos o sistema, não o clima”, é um primeiro passo, alentandor, no sentido de uma mobilização ecológica radical. Ainda estamos longe de ter uma luta ecológica planetária capaz de mudar a relação de forças e impor as drásticas mudanças necessárias. Mas esta é a única esperança de evitar a catástrofe anunciada.
IHU On-Line – Considerando o contexto de capitalismo exacerbado, acredita que as pessoas estão preparadas para o ecossocialismo?
Michael Löwy – Existe um sentimento anticapitalista difuso na América Latina, na Europa e em outras partes do mundo. O movimento altermundialista é uma das expressões disto. Por outro lado, cresce a consciência ecológica, a preocupação com as ameaças profundamente inquietantes que representa a mudança climática. Mas é no curso das lutas ecossociais contra as multinacionais destruidoras do meio ambiente e contra as políticas neoliberais que poderá surgir uma perspective ecossocialista. Não há nenhuma garantia; é apenas uma possibilidade, mas dela depende o futuro da vida neste planeta.
IHU On-Line – Qual é o papel das populações originárias como os indígenas e quilombolas na consolidação do ecossocialismo?
Michael Löwy – Em toda a América Latina – mas também na América do Norte e em outras regiões do mundo – as populações indígenas estão na primeira linha do combate à destruição capitalista do meio ambiente, em defesa da terra, dos rios, das florestas, contra as empresas mineiras, o agronegócio e outras manifestações da guerra do capital contra a natureza. Não por acaso os indígenas tiveram um papel determinante na organização da Conferência de Cochabamba em Defese da Mãe Terra e contra a Mudança Climática, em 2010, que contou com a participação de dezenas de milhares de delegados de comunidades indígenas e movimentos sociais. Temos muito a aprender com as comunidades indígenas, que representam outra visão da relação dos seres humanos com a natureza, totalmente oposta ao ethos explorador e destruidor do mercantilismo capitalista. Como diz nosso companheiro, o histórico lider indígena peruano Hugo Blanco: “Os indígenas já praticam o ecossocialismo há séculos!”
Entrevista: concedida à IHU On-Line por e-mail em fevereiro de 2011.
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/40841-ecossocialismo-por-uma-ecologia-socialista-entrevista-especial-com-michael-loewy

domingo, 17 de agosto de 2014

QUE RIO GRANDE DO SUL QUEREMOS, NA ÁREA AMBIENTAL?

Reflexões do prof. Paulo Brack, elencando  os cinco aspectos que seriam necessários para tirar o Rio Grande do Sul da crise ambiental.



                               Foto: Heverton Lacerda -2014

QUE RIO GRANDE DO SUL QUEREMOS, NA ÁREA AMBIENTAL?

*Paulo Brack (11-08-2014)
Introdução
A convite da AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), trazemos aqui alguns apontamentos como contribuição para os debates dos programas ambientais, inclusive neste ano eleitoral de 2014, mesmo levando-se em conta a crise política e de representatividade em que vivemos. Não podemos nos ausentar destes debates, mesmo que tenhamos dúvidas quanto à legitimidade do processo que permite, por exemplo, que partidos utilizem-se, injustamente, de financiamentos privados de campanha por parte de empresas – em geral gigantes - que degradam o meio ambiente e comprometem a democracia. Atualmente, a sociedade está em grande parte descrente do processo político institucional, pois a maior parte dos partidos não possui base eleitoral representativa e democrática, e estes não representam mais do que os seus interesses pessoais. Assim, uma reforma política profunda é urgente para que se possa retornar aos preceitos éticos elementares e a moralidade administrativa, refletindo os avanços que a sociedade impõe, via bem comum, sobre os interesses de grupos econômicos gananciosos e de políticos profissionais. Mas a vanguarda disso não pode cair de novo na mão de partidos. Neste aspecto, a sociedade deve estar atenta, acompanhando, cobrando e refutando a sensação de “normal” aos descaminhos da política e dos atuais retrocessos ambientais1.
Seguem nossas avaliações e propostas, dentro de algumas prioridades e também dentro doas temas que mais acompanhamos, nos quase oito anos de Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente), por parte de nossa representação pelo Ingá, entidade indicada pela Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema-RS). Em 2010, pudemos participar junto com a Apedema, o Mogdema (Movimento Gaucho em Defesa do Meio Ambiente) e com outros ativistas ambientais da plataforma2 para aquelas eleições.
1. Fortalecimento da SEMA
Quanto à situação ambiental do Rio Grande do Sul, do ponto de vista do papel do Estado na gestão e regulação do Meio Ambiente, em primeiro lugar, o ponto crucial é resgatar-se o lugar devido constitucionalmente à SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), resgatando-se sua infraestrutura e sua forma de gestão e relação com as demais pastas e a situação dos órgãos ambientais no Estado. Esta secretaria teve um longo e progressivo “apagão ambiental” a partir de 2003, com a saída de muitos funcionários. Do ponto de vista da chefia da pasta, nos últimos 12 anos, tivemos três governos e não menos do que 12 secretários. Em um dos governos (2003-2006), nos três primeiros anos, três candidatos a deputados, não eleitos, de um mesmo partido, turnaram-se como secretários de meio ambiente3. Os três, nas eleições de 2006, receberam doações de campanha de empresas licenciadas pela FEPAM(Fundação Estadual de Proteção Ambiental Luiz Roessler), no caso do setor da celulose4, o que pode se caracterizar como potencial conflito de interesses que deveria ser absolutamente vedado, já que, do ponto de vista ético, estes agentes não se importavam com esta situação por demais vergonhosa. Somente houve uma preocupação maior com o rumo da FEPAM, sem maior ingerência política, e com uma mínima reestruturação emergencial, a partir da Operação Concutare5, desencadeada pela Polícia Federal, em 29 de abril de 2013. Esta operação resultou, entre outras consequências, a prisão de 18 pessoas, sendo, em nível estadual, o então secretário e o ex-secretário de meio ambiente, ambos com forte perfil político-partidário, envolvidos em irregularidades em licenças ambientais. O ocorrido deixou desnudada uma prática que mistura irregularidades, tráfico de influências e loteamentos políticos. Estas práticas deveriam ser eliminadas, com a indicação necessária de pessoas que, além de estarem ligados aos temas ambientais, com perfis técnicos necessários, precisariam compor um projeto de gestão pública e não um projeto político partidário ou pessoal para a área. A FEPAM, em sua essência, deveria ser um modelo para o licenciamento, já que o Diretor técnico é eleito – apesar de isso não ter sido respeitado em vários governos - pelo quadro de funcionários. Quem sabe, em um futuro não tão distante, venhamos a adotar um modelo de gestão mais adequado, com órgãos licenciadores autônomos, de Estado, e não de governos, inclusive em todo o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). Estes órgãos ou agencias autônomas não sofreriam as costumeiras ingerências políticas, pois em todos os quadros, inclusive a chefia, seriam técnicos de carreira (concursados), controlados de perto pelo Ministério Público e pela sociedade, a fim de evitar conflitos de interesse, quando de licenciamentos de empreendimentos de interesse dos próprios governos.
Quanto à estrutura da FEPAM e do DEFAP (Departamento de Florestas e Áreas Protegidas), órgãos centrais da gestão de meio ambiente, o que consta é que, desde a criação da Secretaria, em 1999, estiveram, na maior parte do tempo, com menos da metade dos técnicos necessários. O DEFAP, criado naquele ano, só teve criadas três vagas, até 2002, justamente de chefes de setores. A área profissional - e isso se amplia para a FZB (Fundação Zoobotânica), instituição que é responsável pela pesquisa da biodiversidade e por manter acervos de flora e fauna ”ex-situ” - foram sendo paulatinamente desvalorizados e aviltados politicamente. Por sorte em 2014 houve, enfim, concurso e contratação de técnicos para a Fundação Zoobotânica, situação que não ocorria há, pelo menos, uma década e meia. Situação semelhante espera-se para a FEPAM, onde existe uma promessa de concurso para 2014. Um dos pontos mais graves nestes anos foi a instituição ser submetida a ingerências políticas6 em licenças ambientais. Não se pode aceitar que uma decisão política prescinda de embasamentos técnicos que avaliem a biocapacidade dos sistemas naturais, o que configura como irregularidade, e que possa representar uma análise isenta sobre a viabilidade ou não de empreendimentos. A Presidência da FEPAM, via oficio 122/2007, chegou a admitir ao Ibama, contrariamente aos pareceres técnicos da casa, que era favorável ao projeto de hidrelétrica de Pai Querê, em Bom Jesus (rio Pelotas), o qual inundaria 4 mil hectares de florestas com araucária (cerca de 180 mil araucárias adultas) para produzir 290 MW, o equivalente ao Parque Eólico de Osório, usando o simples argumento: “do ponto de vista sócio-econômico, por sua importância estratégica e fortalecimento da matriz energética, abstraídas as questões técnico-ambientais levantadas, somos favoráveis ao empreendimento” (grifo nosso). Outras situações absurdas, como a montagem de práticas meramente cartoriais para situações ambientais altamente complexas fez com que a FEPAM incrementasse o que se chamou de “balcões de licenciamentos”. Isso deveria ser imediatamente superado pela busca da visão do todo, via Avaliações Ambientais Estratégicas, não mais licenciamentos “caso a caso”, por meio de diretrizes e subsídios mais sólidos e gerais, como aqueles representados pelas Avaliações Ambientais Integradas para empreendimentos hidrelétricos, no caso da bacia do rio Taquari-Antas, realizadas pela própria FEPAM em 2001, e que conseguiu sobreviver com recentes ajustes.
2. Diagnósticos Necessários nos âmbitos da qualidade ambiental (ar, água, solo)
Em segundo lugar, a SEMA e os demais secretarias, com apoio de instituições de pesquisa, deveriam responsabilizar-se por realizar diagnósticos periódicos da situação ambiental do Estado. Sem se saber minimamente sobre a realidade ambiental que nos cerca – que tudo indica ser dramática - não há forma de gestão inteligente do meio ambiente. Este aspecto depende de mudanças de cultura em todos os âmbitos. Hoje, ainda desconhecemos acapacidade de suporte dos sistemas vivos e do crescente incremento sinérgico de atividades degradatórias. As políticas ditas econômicas desconhecem esta realidade. Não se conhece o nível de comprometimento dos ecossistemas e da degradação ambiental sobre eles e sobre a saúde humana. O Princípio da Precaução7 (assinado na Rio 92 entre o Brasil e outros países) deveria ser seguido se quisermos conceber as inúmeras incertezas do funcionamento ambiental frente a atividades de alto risco ambiental. O diagnóstico da situação é fundamental. Um médico quando analisa um paciente, com problemas complexos, pede vários exames. Da mesma forma, deve-se avaliar profundamente a situação e, com isso, buscar as causas e os resultados dos processos que causam disfunções ecológicas, tanto em nível estadual como mundial89. É necessário que se tenha clareza da dificuldade de existir vontade política em trazer a realidade ambiental para o cenário de decisões econômicas, pois afetaria os grandes setores que mandam na economia e comandam os governos, com seus interesses corporativos mais imediatistas.
Esta realidade, via diagnósticos periódicos da qualidade ambiental do Estado, dever-se-ia trazer, prioritariamente, o quadro da qualidade das águas das principais bacias do RS. Exemplo disso é o rio Gravataí, um dos mais comprometidos e que na página da FEPAM poderia apresentar dados atualizados sobre sua situação10. No que toca à qualidade das águas, o abastecimento de água potável é cada vez mais comprometido pela falta de projetos corretos de tratamento de efluentes líquidos.
Cabe levantar ainda a questão do abastecimento de águaque se mantenha como um serviço publico! Infelizmente, o município de Uruguaiana e outros do RS e do Brasil tentam privatizar o serviço de água. A água é elemento fundamental à vida e deve estar acessível, obviamente de forma racional, a todos que dela necessitam. Igualmente o saneamento não pode ser privatizado, pois tanto a água como o tratamento de esgotos domésticos não pode ser privilégio e nem uma mercadoria. Outra questão é se eliminar o uso indiscriminado dos poços artesianos, com cadastramento de usuários, não permitindo que empresas privadas se apropriem de fontes de água mineral, como hoje ocorre inclusive com grandes transnacionais como a Coca Cola e a Nestlé.
Da mesma forma do que ocorre com a qualidade da água, a situação de conhecimento da qualidade do ar está ainda descoberta devido ao crônico sucateamento do sistema de monitoramento da qualidade do ar da FEPAM, desde o início da década passada, apesar das tentativas recentes de se superar a comprometedora situação via recursos do Fundo Estadual do Meio Ambiente (FEMA), já que os recursos da SEMA são escassos. Há muitos anos, verifica-se que uma das principais áreas mais poluídas de Porto Alegre e da Região Metropolitana, a Estação de Monitoramento do Centro-Rodoviária, não está funcionando conforme assinala a própria página da FEPAM11, fato semelhante ocorre com áreas de maior concentração industrial. No que se refere às áreas industriais, acreditamos que o monitoramento não pode ser simplesmente realizado pelas próprias empresas e que o controle da poluição deva também ter controle social.
Nesta caso, chama a atenção para o fato de que as termelétricas a carvão mineral, em especial aquelas localizadas em Candiota, em que tanto o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) como a FEPAM dependem dos dados emitidos pelas empresas de geração de energia. E a situação é altamente preocupante, conforme afirmam representantes do Ministério Publico Federal12. Tanto a FEPAM como o Ibama deveriam dar apoio suficiente ao seu corpo técnico para a aquisição de equipamentos e condições para o monitoramento da qualidade do ar. Quanto ao uso, inerentemente insustentável, do carvão mineral, a APEDEMA do RS apresentou um documento ao Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente) alertando os danos diversos da poluição gerada por esta fonte de energia fóssil inviável13.
Entre os demais impactos, insere-se aqui a avaliação e publicização dos resultados periódicos sobre a contaminação do solo e da água pelas atividades agrícolas (uso de agrotóxicos e outros insumos contaminantes), bem como a contaminação do solo e da água por atividades industriais, além de outros aspectos relacionados à erosão do solo e da mineração.
3. Qual a Situação da Biodiversidade do Rio Grande do Sul?
Necessitamos de monitoramentos periódicos do que ainda resta de remanescentes originais bem como do que se perde de ecossistemas naturais regionalmente nos biomas Pampa e Mata Atlântica.
No caso do Pampa, não existem dados recentes e tampouco do ritmo real de comprometimento da conversão dos ecossistemas para atividades agrícolas. Os dados mais recentes são de mais de meia década, e dão conta (MMA, 2010) que restavam 36% de remanescentes naturais dos campos do Pampa. Entretanto, como demonstram os dados de crescimento das áreas de lavouras de grãos (mais de 7 milhões de hectares no RS) e de monossilviculturas(entre 800 mil a 1 milhão de hectares) de eucalipto, pinus e acácia-negra seguem crescendo sobre áreas recentemente de ambientes naturais. O pior cenário é, sem dúvida, a expansão de lavouras empresariais (monoculturas) de soja e de outras culturas sobre os campos sulinos. A soja já alcança 4,9 milhões de hectares no Estado14, concorrendo com várias culturas e expandindo-se de forma ilimitada. Quanto ao Pampa, no final do ano passado, entidades fizeram uma avaliação crítica das políticas públicas relativas ao bioma15. Neste caso, destacaríamos a necessidade de se fortalecer o programa RS Biodiversidadepreferencialmente sem a tutela do Banco Mundial, pois o Estado deve prover recursos próprios para seus programas.
Ainda, no que se refere ao Pampa, recomenda-se, entre outras demandas, a criação de um Comitê Estadual do Bioma Pampa à semelhança com o Comitê da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). Um dos pontos mais emergenciais é a implementação da Reserva Legal no bioma bem como o avanço no Zoneamento Ambiental da Silvicultura, com a atualização de dados de plantios, monitoramento e nunca seu retrocesso como desejam setores da megassilvicultura, da madeira, com base em monoculturas arbóreas, erroneamente denominados de “Setor Florestal”.
Com relação à Mata Atlântica, patrimônio definido pela Constituição Federal do Brasil, destacaríamos que a RBMA, que também é patrimônio da UNESCO, reconhecida em lei por mais de duas décadas aqui no RS deve ter protegida sua Zona Núcleo, não sendo permitidos empreendimentos de alto impacto na mesmanem mesmo licenciamentos municipais que prevejam supressão de vegetação em estádios médios e avançados da Mata Atlântica, bem como de matas primárias, fato que deve somar-se ao mapa das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade (Port. MMA, n. 9/2007)16.
No que se refere à biodiversidade em áreas protegidas, destacaríamos a situação precária e de indefinição necessidade quanto a unidades de conservação. O RS possui (incluindo UCs federais e municipais) somente 2,6%17 de UCs, ficando atrás da maioria dos Estados do Brasil. Deste total, não mais do que 0,7% são de proteção integral e o restante pertence ao uso sustentável. Neste milênio não conhecemos a criação de nenhuma UC em nível estadual ou mesmo federal. Para piorar a situação, a bancada ruralista, financiada por grandes setores do agrobusiness, segue forçando o retrocesso nesta área, via PEC 215, que tiraria do executivo a criação de UCs, áreas indígenas e quilombolas. Cabe destacar que o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC) nunca avançou por falta de técnicos e de vontade política de parte dos governos. Necessita-se de estrutura humana, equipamentos e de recursos financeiros. O orçamento para a área deve prever valores que não sejam simplesmente aqueles dependentes de “compensações ambientais” decorrentes de empreendimentos que realizam EIA-RIMA (Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental), como frequentemente ocorre. A gestão destes recursos é precária e nem sempre cumpre as funções que deveria. Situação semelhante acontece com mais de 30 milhões de reais com multas ambientais não pagas no Estado18
Também cabe incluir a sociobiodiversidade, com respeito às populações tradicionaisindígenas e quilombolas, por meio de reservas extrativistas, com acompanhamentos e apoios técnico de instituições governamentais e não governamentais.
No que toca a uma das causas de perda de biodiversidade sobre os rios e ecossistemas associados, que são os grandes empreendimentos hidrelétricos, é necessário que se reavalie a situação denunciada por especialistas19 e ambientalistas20É importante destacar que as hidrelétricas sobre o rio Uruguai, em especial Panambi e Garabi, estão já ultrapassando a biocapacidade de suporte dos rios. Temos muitas alternativas de geração de energia verdadeiramente sustentáveis21Por rios livres de barragens!22
4. Superar a síndrome do crescimento econômico e resgatar a economia integral e os processos ecológicos
questão das mudanças climáticas de origem antrópica, fartamente reportadas pelo IPCC23, é um dos grandes resultados, agora em nível global, da crise sistêmica que aflige muitas partes do mundo. No caso do RS e do País, as causas se entrelaçam aos perversos processos econômicos mundiais, onde se deve denunciar a hegemonia da atual economia parcial, ou Hemieconomia e seus fatores políticos, seus agentes, que nos últimos anos e décadas que levaram a essa realidade. A busca fundamentalista pelo Crescimento Econômico, inerentemente sem limites, segue sendo uma das causas fundamentais da degradação ambiental, como assinala Vandana Shiva24.
Há de se ter em conta o papel que joga o Estado e o País no cenário de mundialização econômica. Que setores mandam na economia (rural, industrial, etc.). O RS, como muitos estados do Brasil, é predominantemente fornecedor de matéria prima (grãos, celulose, etc.) para a China e países do chamado primeiro mundo. Deve-se tornar o Estado de frente (e não de costas) à sua sociobiodiversidade e buscar-se autonomia, soberania e emancipação, com base em vocações locais, renegando-se o interesse internacional de megacorporações e países que querem nos manter como periferia, fornecedora de matérias primas. Como destaque, trazemos aqui o polêmico, para não dizer desastroso, caminho pela expansão dos projetos de celulose25 no Rio Grande do Sul liderada por empresas estrangeiras. Da mesma forma ocorre com a expansão sem limites das monoculturas de soja nos campos sulinos.
Também é preciso entender que os processos econômicos, em nível de grandes programas, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o governo concentrara seus esforços em megaobras de infraestrutura. Assim, a infraestrutura agrícola agrupa-se fundamentalmente na exportação de grãos, baseados em monoculturas, em sua maioria transgênicas e altamente quimicodependentes. O Programa Troca-Troca de sementes de milho transgênico26, por parte do governo do Estado, com distribuição de sementes geneticamente modificadas, vai de encontro com o conhecimento que já se tem se que o uso destes organismos também representa poluição transgênica27 e incremento de uso de agrotóxicos28, e deve ser interrompido. A transgenia na agricultura pode ser enquadrada como poluição genética29, com resultados perversos para o meio ambiente, para a saúde humana30 e para o agricultor31. O retrocesso é tal que a agricultura convencional, regada por OGMs (das seis grandes empresas que controlam a sementes do mundo) não satisfeita com o crescimento do uso do herbicida glifosato32 força o uso agora do 2,4 D33mais tóxico ainda, e um dos componentes do agente laranja usado na Guerra do Vietnam, décadas de 1960 e 1970.
5. Um Outro Rio Grande do Sul é Necessário
As políticas ambientais não podem ser silenciadas. A SEMA não deve atuar de forma isolada e tampouco se curvar a outras secretarias. Os demais setores têm que respeitar os limites da biocapacidade dos ambientes, e, para isso, a atribuição pertence aos órgãos ambientais. O Consema deveria ter um papel preponderante a não chancelador de práticas e interesses governamentais e de setores que representam poder econômico no Estado. Não foi por nada que a Agapan se retirou do Conselho34 A Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) tem papel importante e vem desenvolvendo iniciativas interessantes, mas deve se empenhar em não permitir a distribuição de sementes transgênicas de milho no programa Troca-Troca. É necessário que as demais secretarias e o próprio núcleo do governo do Estado incorporem outro paradigma, que não o meramente produtivista, com políticas de desenvolvimento que coloquem no centro, como estratégia, a biodiversidade, o respeito às Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade, a questão das espécies ameaçadas de fauna e flora, os povos tradicionais, indígenas, quilombolas, a agricultura familiar, sempre com políticas afirmativas, diferenciadas, com recursos facilitados a este desenvolvimento. Cabe destacar aqui também a importância do ZAS (Zoneamento Ambiental da Silvicultura) - mérito dos técnicos da FEPAM, FZB, das demandas das entidades ambientalistas e de cientistas envolvidos com a conservação da biodiversidade. Da mesma forma, devemos cobrar dos governos Federal e Estadual a Criação do Corredor Ecológico Aparados da Serra - Rio Pelotas, obrigação do Termo de Compromisso da UHE Barra Grande35empreendimento que causou a perda de 6 mil ha de florestas com Araucária e perda irrecuperável de biodiversidade36.
Do ponto de vista político, cabe sempre lembrar as louváveis iniciativas e inéditas de marcar aqui, em 2000, o território do Fórum Social Mundial, talvez, agora, buscando-se outras formas de articulações, mais descentralizadas, autônomas, independentes de governos e partidos, e com a combatividade que tenha como exemplo a Guerra pela Água, na Bolívia37 e que se avance para patamares de autogestão dos bens comuns. Resgatar o protagonismo que teve o Orçamento Participativo (OP), com as comunidades locais, avançando-se em um desenvolvimento participativo, longe dos projetos verticais atuais.
Com base em estudos ecológicos independentes que façam a aferição dos danos das atividades que representam alto risco de impactos ambientais não deveriam receber financiamentos públicos ou privados, como monoculturas, uso de térmicas a carvão mineral, grandes hidrelétricas, mineração, grandes empreendimentos urbanos sobre remanescentes naturais, entre outros. Antes que o controle e a fiscalização de empreendimentos, é importante a prevenção, de caráter econômico, na fase de planejamento e análise de possível financiamento, como forma de vedar estes tipos de atividades, diminuindo-se o imenso ônus de controlá-las após sua implementação.
A oportunidade de se avançar na agroecologia e na biodiversidade, com destaque ao uso sustentável de nossa flora38, 39 deve ser prioridade. Mas para isso, a produção de mudas nativas é fundamental40. As espécies alimentícias nativas devem ter seu espaço, e aqui lembramos, pelo menos, 200 espécies de plantas frutíferas nativas do RS e outras centenas de hortaliças nativas e espontâneas que são negligenciadas – muitas destas tratadas como daninhas – na agricultura empresarial ou convencional, que deveria ser superada pela agroecologia. Destacaríamos a necessidade de incentivos a programas com erva-mate, araucária, juçara, entre outras espécies. Para isso, é necessário maior apoio, via políticas públicas diferenciadas aos guardiões da agrobiodiversidade, ou seja, a agricultura familiar e campesina. Mas, para atingir estas metas elementares, deve-se pensar em uma política justa, de limite à propriedade. O acúmulo de terras por só um proprietário ou grupo econômico representa desequilíbrio, ou melhor, é eminentemente antiecológico. A limitação de uso da Faixa de Fronteira e a vedação de venda de terra para grupos estrangeiros devem ser mantidas. Mas, para tudo isso, é importante garantir que não haja retrocessos também no Código Estadual de Meio Ambiente, denunciando-se também os políticos e grupos financiados por empresas para combater a emancipação de povos tradicionais41 e causar retrocessos ambientais.
Quanto aos demais caminhos, para enfrentarmos, coletivamente, o quadro de crise ecológica e política, seguem sugestões de leituras, como a do documento Transição Ecológica Necessária42, e outros materiais de pensadores, como Michael Lowy43Vandana Shiva44, Serge Latouche45Jorge Riechmann4647Eddy Sánches48Óscar Carpintero49David Harvey50, entre outros, que vêm buscando uma transição pós-capitalista, já que o sistema hegemônico atual é a principal causa da degradação ambiental e da desigualdade social.
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* Biólogo, professor do Dep. de Botânica, do Instituto de Biociências da UFRGS, membro da coordenação do InGá (Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais), representando a entidade no COMAM de Porto Alegre, CONSEMA-RS. Ex-Membro do CONAMA, juntamente com Adv. Marcelo Mosmann pelo pela Região Sul. Ex-membro da CTNBio, indicado pela sociedade (2006-2009).  Fez parte da concepção e da organização de diferentes edições dos Fóruns Sobre Impacto das Hidrelétricas1, 2 3 , I Encontro de Viveiros de Plantas Nativas do RS4, I Seminário sobre Espécies Frutíferas do Rio Grande do Sul5, SOS Biodiversidade: a Flora de Porto Alegre6, e participação no Livro Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial Plantas para o Futuro – Região Sul7.

3  Mais informações sobre estes candidatos no Capítulo “Os grandes projetos de silvicultura e o choque de indigestão na área ambiental do estado do Rio Grande do Sul”, In Althen Teixeira Filho, 2008. – Eucalipitais – Que Rio Grande do Sul desejamos. Disponível em: http://www.inga.org.br/wordpress/wp-content/uploads/eucalipitais.pdf.
5  Ver “Carta Aberta da Apedema e do Mogdema sobre a Operação ‘Concutare’, em http://apedemars.wordpress.com/2013/04/30/carta-aberta-da-apedema-e-do-mogdema-sobre-a-operacao-concutare/.
8  Cardinale et al. 2012 - Biodiversity loss and its impact on humanity. Disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v486/n7401/full/nature11148.html.
9  Na iminência de uma nova extinção? - Dados indicam que a Sexta Extinção em Massa de espécies que habitam a Terra já começou. E o ser humano é o principal responsável por esse declínio, dizem pesquisadores. Ver em: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/07/na-iminencia-de-uma-nova-extincao.
12  “Usina termelétrica de Candiota é questionada pelo Ministério Público e por ambientalistas.”. Diponível em: http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2011-02-13/usina-termeletrica-de-candiota-e-questionada-pelo-ministerio-publico-e-por-ambientalistas.
14  CONHAB, 2014. Acompanhamento da safra brasileira de Grãos - http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/14_03_12_08_41_24_boletim_graos_marco_2014.pdf.
15  Bioma Pampa: um Presente com que Futuro? Documento do Mogdema e Projeto de Extensão Construindo Consciência Crítica – UFRGS Disponível em:http://rsurgente.wordpress.com/2013/12/17/bioma-pampa-um-presente-com-que-futuro/.
19  Brack et al. (2011). As hidrelétricas do rio Uruguai e o confronto à legislação que protege a sociobiodiversidade brasileira – X Congresso de Ecologia do Brasil – Sociedade de Ecologia do Brasil. Disponível em: http://www.seb-ecologia.org.br/xceb/palestrantes/79.pdf.
21  Artigo de opinião de P. Brack, publicado na Ecoagencia: “A energia elétrica e o horário de verão: economia ou subeconomia?”http://www.ecoagencia.com.br/?open=artigo&id===AUUF0dVtWOHNlRaNVTWJVU.
23  IPCC- Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - http://www.ipcc.ch/
24  Ver artigo de Vandana Shiva, “Como o Crescimento Econômico virou anti-vida”em: http://imediata.org/?p=4194.
25  Celulose Riograndense: redenção ou Síndrome de Detroit? - http://www.ecoagencia.com.br/?open=artigo&id===AUWZFdWxGZHNlRaNVTWJVU
26  Entidades ambientalistas podem entrar na Justiça contra o troca-troca transgênico- Ecoagencia (2013) http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRlVONlUsRmdX1GeXJFbKVVVB1TP
27  Zanoni e Ferment (2011) Transgênicos para quem? Disponível em: http://aspta.org.br/wp-content/uploads/2011/06/Transgenicos_para_quem.pdf.
43  Caros Amigos: Michael Löwy critica Rio+20 e a propaganda da ‘economia verde’ - http://terradedireitos.org.br/2012/04/09/caros-amigos-michael-lowy-critica-rio20-e-a-propaganda-da-economia-verde/.
44  Vandana Shiva, 2003. Monoculturas da Mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. Ed. Gaia -http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/estante/estante_431778.shtml.
45  Serge Latouche, o precursor da teoria do decrescimento, defende uma sociedade que produza menos e consuma menos - http://www.ihu.unisinos.br/noticias/523299-serge-latouche-o-precursor-da-teoria-do-decrescimento-defende-uma-sociedade-que-produza-menos-e-consuma-menos.
46  10 caracteres do Ecossocialismo, segundo Jorge Riechmann – http://outraesquerda.blogspot.com.br/2013/02/10-caracteres-do-ecossocialismo-segundo.html
47  Como pensar las transiciones pós-capitalistas? – Jorge Riechmann - https://www.youtube.com/watch?v=UMhPgMW-s9s
48  Eddy Sánchez: Ecosocialismo, programas de transición y democracia económica y ecológica https://www.youtube.com/watch?v=ZaG1GibXeW4
49  Óscar Carpintero: Estrategias de política económico-ecológica para avanzar en la transición https://www.youtube.com/watch?v=GM5Gwu3O6Lk.