Informações, debates, trocas de experiências sobre sociologia, ecologia e politica.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
sábado, 15 de março de 2014
Agapan Debate abordará o tema da Mobilidade Urbana: ciclovias de Porto Alegre como um recurso alternativo não poluidor
Na próxima segunda feira, dia 17/03, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) promove o Agapan Debate com o tema “Mobilidade Urbana: as ciclovias de Porto Alegre”. O evento é gratuito e acontece no Auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, às 19h.
“Em Porto Alegre sempre se encontrou inúmeras bicicletas pelas ruas, porém foi através do atropelamento de 86 ciclistas do movimento Massa Crítica no bairro Cidade Baixa, em 2011, que a cidade mais se sensibilizou pela falta de ciclovias para se andar de bicicleta”, observa o presidente da entidade, Alfredo Gui Ferreira, ao destacar que “atualmente Porto Alegre conta com apenas 18 kms de ciclofaixas, não interligadas, dificultando os trajetos e inibindo os novos adeptos da bicicleta, inclusive como transporte”.
Na capital gaúcha a Prefeitura não está sanando os problemas do uso da bicicleta e vem investindo apenas 8,9% (2013) da Lei dos 20% de multas do trânsito para ciclovias e educação, motivo de receber, no último dia 12/3, determinação do Tribunal de Justiça do RS para cumprir esta lei. Não satisfeita, a gestão municipal também procura reduzir a lei do Plano Diretor Cicloviário, que estabelece a construção de 500 kms de ciclovias, através de projeto na Câmara Municipal de Porto Alegre, com audiência pública marcada para o próximo dia 31 de março.
Para debater a questão das ciclovias da cidade e promover a cultura deste transporte não poluidor é que estarão presentes o publicitário Cadu Carvalho, da Mobicidade, ciclista que usa a bicicleta diariamente e que presenciou o atropelamento de 2011; Yuri Flores Machado, professor de “trabalho, consumo e meio ambiente”, e participante do Massa Crítica; e Vanessa Melgaré, assessora de comunicação ligada às questões de urbanismo e meio ambiente, e que participou, pela Agapan, do 3º Fórum Mundial da Bicicleta, realizado em fevereiro deste ano em Curitiba.
Durante o evento, a Agapan vai colocar à venda as camisetas verdes da entidade, e o livro sobre a cultura da bicicleta “Nowtopia”, de Chris Carlsson, da Editora Tomo.
Informações
Assessoria de Comunicação da Agapan
Vanessa Melgaré
http://www.agapan.blogspot.com.br/
terça-feira, 4 de março de 2014
O Setor Elétrico não atendeu as recomendações dos relatórios oficiais nacionais e internacionais e, ainda, recauchuta projetos dos anos 70, gerando outras tantas violações dos direitos humanos sobre os atingidos e ameaçando o que resta do rio Uruguai
Por Eduardo Luís Ruppenthal
A construção de mega-barragens é geradora de muitos conflitos pelos seus enormes impactos ambientais, sociais, culturais e econômicos. Isso já foi constatado e pesquisado por vários cientistas e grupos das universidades brasileiras, mas também está presente no noticiário cotidiano, principalmente nos últimos grandes empreendimentos hidroelétricos como Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu.
Na bacia do Rio Uruguai, além de conflitos emblemáticos nas hidrelétricas de Itá e Machadinho, há um pouco mais de uma década, a construção de Barra Grande, em 2004, foi notória pelo reconhecimento da fraude do EIA-RIMA levado a cabo pela empresa Engevix. Fatos semelhantes ocorreram nas barragens de Foz do Chapecó e Campos Novos, que foram palcos de guerra do Setor Elétrico (empresas e governos) contra as comunidades, principalmente via criminalização da resistência através da perseguição e prisões arbitrárias de atingidos e suas lideranças organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Em Campos Novos, hidrelétrica que quase se rompeu por apresentar rachaduras, a situação atingiu notoriedade nacional e internacional, com denúncias de violação dos direitos humanos dos atingidos encaminhadas a órgãos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU). A repercussão internacional gerou resultado, fazendo com que ocorresse uma visita de uma representante da ONU, Hina Jilan, que por dois dias, 16 e 17 de dezembro de 2005, acompanhou de perto a situação dos atingidos acampados próximos do local da construção da barragem. Constatou a violação de direitos por parte das empresas, o não reconhecimento dos atingidos, onde inúmeras famílias haviam perdido suas terras, sua cultura e sua vida com a construção da obra e ainda sofriam com a prática da violência e uso de força policial.
Em novembro de 2010, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) aprovou o relatório da Comissão Especial que analisou, durante 4 anos, denúncias de violações de direitos humanos no processo de implantação de barragens no Brasil. As denúncias dos casos acolhidos pela Comissão foram das UHE Canabrava (GO), UHE Tucuruí (PA), UHE Aimorés (MG e ES), UHE Foz do Chapecó (RS e SC), PCH Fumaça (ES e MG), PCH Emboque (MG) e Barragem de Acauã (PB).
A comissão identificou um conjunto de 16 direitos humanos sistematicamente violados, dentre os quais merecem destaque o direito à informação e à participação; o direito à liberdade de reunião, associação e expressão; o direito de ir e vir; o direito ao trabalho e a um padrão digno de vida; direito à moradia adequada; direito à melhoria contínua das condições de vida e direito à plena reparação das perdas[1].
Garabi e Panambi: a história se repete
As notícias relacionadas à construção de duas novas megabarragens, Garabi e Panambi, previstas para o já "fragilizado e castigado" rio Uruguai e a falta de informação pública fez com que no final de janeiro e início de fevereiro de 2014 um grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) visitasse a região Noroeste do estado, especificamente os municípios de Alecrim e Porto Mauá, dois dos 19 municípios que poderiam ser atingidos. Durante quatro dias, o grupo visitou comunidades e áreas próximas ao rio Uruguai, participou de reuniões, de entrevistas a rádio local e, principalmente, recebeu muitos pedidos de informações acerca dos impactos desses dois barramentos.
O que se percebeu foi uma enorme situação de insegurança e incerteza das famílias e das comunidades devido à falta de informações, situação que se repete de forma deliberada por parte dos responsáveis pelos projetos já que quando há alguma informação esta é dada de forma incompleta ou desvirtuada, pelos próprios interessados nas obras. Neste aspecto, entenda-se, o Setor Elétrico, formado por Eletrobrás, Ministério de Minas e Energia, governos federal e estadual e empresas contratadas para efetivarem os estudos iniciais, entre as quais destaca-se a Engevix, a mesma empresa que fraudou o EIA-RIMA de Barra Grande. Essa informação ?oficial? possui alguns elementos: incerta, quando se refere aos questionamentos sobre os reais impactos, empregando-se os mais variados subterfúgios; e tendenciosa, pró-empreendimento usando-se do ?fato consumado?, sem sequer ponderar a sua viabilidade, pois não possui nenhum estudo ambiental e por conseqüência nenhum licenciamento, atropelando a situação por meio do repasse de dados não condizentes com a realidade, principalmente ocultando a história de conflitos socioambientais na construção de outras barragens na região. E para isso alguns lobbies formados por políticos interessados nos dividendos econômico-eleitorais auxiliam o círculo vicioso da desinformação.
O conflito já está instalado na região. Em agosto de 2013, após dois dias de mobilização, os atingidos conseguiram paralisar os trabalhos e estudos sobre as obras realizados por empresas que invadiram os terrenos de pequenos agricultores sem autorização e conhecimento dos proprietários. Além da retirada das máquinas de sondagem, outro compromisso cobrado dos responsáveis foi a necessidade de apresentar as informações, até então sonegadas, e a garantia de audiências locais, a fim de que saibam da opinião da população ameaçada pelos empreendimentos. Nas reuniões que ocorreram, uma delas na distante cidade de Santa Rosa, e não em Porto Mauá que seria atingida em 75% de seu perímetro urbano, prevaleceram as ?informações? da Eletrobrás, como de praxe tendenciosas, vazias e desencontradas, quanto aos principais questionamentos socioambientais.
O MAB, por meio de uma reunião realizada com o governo do estado, conseguiu o compromisso verbal de, junto com a Eletrobrás e o próprio governo, planejar e organizar as reuniões nas comunidades e nos municípios. Mas, como era de se esperar, infelizmente, esse acordo não foi cumprido e o Setor Elétrico e governos estão realizando essas reuniões, que são muito mais propagandas enganosas, nos municípios sem a participação do MAB.
Assim como na década de 1980, quando a resistência da região não permitiu a realização do Complexo Garabi, várias pessoas e setores da sociedade estão mobilizados e fazendo o contraponto, principalmente informacional, entre os quais se destacam o MAB, a colônia de pescadores, a rádio Navegantes AM, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, a pastoral social e a Igreja Católica da Diocese de Santo Ângelo, entre outros grupos organizados.
Após quatro anos do lançamento do relatório e com os novos conflitos gerados na construção de hidrelétricas no país, com destaque negativo para as desastrosas hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, agora na região Noroeste do estado, verifica-se que a situação não evoluiu, e até retrocedeu, pelo não cumprimento por parte do Setor Elétrico das recomendações feitas nos relatórios oficiais nacionais e internacionais. Um setor que, atrelado a gigantescas empreiteiras e a políticos do grupo do Senador Sarney, resgata e recauchuta projetos da década de 1970, gerando outras tantas violações dos direitos humanos sobre os atingidos, agora ameaçando também o que resta do rio Uruguai, nos megaempreendimentos de Garabi e Panambi (75 mil hectares de áreas alagadas), podendo afetar dezenas de milhares de pessoas.
Por isso, quando dizemos "Não à Garabi e Panambi", além de estarmos defendendo o belo e majestoso Rio Uruguai, seus afluentes, com suas corredeiras, florestas e áreas rurais de altíssima fertilidade, estamos nesta luta juntos com os habitantes da região, que resistem a esta insanidade. Para isso, nos aliamos aos agricultores, pescadores, comunidades ribeirinhas, veranistas de seus balneários, moradores das cidades potencialmente atingidas. Vamos cobrar a defesa da Constituição Federal que, em seu Art. 225, veda ações que promovam a extinção de espécies da flora e da fauna, como o caso do dourado, já ameaçado pelas barragens rio acima, assim como impedir que isso tudo continue afetando o Salto do Yucumã e o Parque Estadual do Turvo.
Queremos dizer que é possível e necessário Um Outro Modelo Energético, Público, com e para o povo, e assim estamos defendendo os direitos humanos, o direito de resistência e o direito de viver! Garabi e Panambi não passarão!
--
[1] Segue os demais direitos: Direito à educação; Direito a um ambiente saudável e à saúde; Direito à justa negociação e tratamento isonômico, conforme critérios transparentes e coletivamente acordados; Direito À cultura, às práticas e aos modos de vida tradicionais, assim como ao acesso e preservação de bens culturais, materiais e imateriais; Direitos dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; Direito de grupos vulneráveis a proteção especial; Direito de proteção à família e a laços de solidariedade social ou comunitária; Direito de acesso à justiça e a razoável duração do processo judicial; Direito à Reparação por perdas passadas.
-----
Eduardo Luís Ruppenthal é professor de Biologia, biólogo e mestre em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS). É também membro do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (MoGdema), InGá (Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais) e Movimento Rio Uruguai Vivo.
Por Eduardo Luís Ruppenthal
A construção de mega-barragens é geradora de muitos conflitos pelos seus enormes impactos ambientais, sociais, culturais e econômicos. Isso já foi constatado e pesquisado por vários cientistas e grupos das universidades brasileiras, mas também está presente no noticiário cotidiano, principalmente nos últimos grandes empreendimentos hidroelétricos como Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu.
Na bacia do Rio Uruguai, além de conflitos emblemáticos nas hidrelétricas de Itá e Machadinho, há um pouco mais de uma década, a construção de Barra Grande, em 2004, foi notória pelo reconhecimento da fraude do EIA-RIMA levado a cabo pela empresa Engevix. Fatos semelhantes ocorreram nas barragens de Foz do Chapecó e Campos Novos, que foram palcos de guerra do Setor Elétrico (empresas e governos) contra as comunidades, principalmente via criminalização da resistência através da perseguição e prisões arbitrárias de atingidos e suas lideranças organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Em Campos Novos, hidrelétrica que quase se rompeu por apresentar rachaduras, a situação atingiu notoriedade nacional e internacional, com denúncias de violação dos direitos humanos dos atingidos encaminhadas a órgãos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU). A repercussão internacional gerou resultado, fazendo com que ocorresse uma visita de uma representante da ONU, Hina Jilan, que por dois dias, 16 e 17 de dezembro de 2005, acompanhou de perto a situação dos atingidos acampados próximos do local da construção da barragem. Constatou a violação de direitos por parte das empresas, o não reconhecimento dos atingidos, onde inúmeras famílias haviam perdido suas terras, sua cultura e sua vida com a construção da obra e ainda sofriam com a prática da violência e uso de força policial.
Em novembro de 2010, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) aprovou o relatório da Comissão Especial que analisou, durante 4 anos, denúncias de violações de direitos humanos no processo de implantação de barragens no Brasil. As denúncias dos casos acolhidos pela Comissão foram das UHE Canabrava (GO), UHE Tucuruí (PA), UHE Aimorés (MG e ES), UHE Foz do Chapecó (RS e SC), PCH Fumaça (ES e MG), PCH Emboque (MG) e Barragem de Acauã (PB).
A comissão identificou um conjunto de 16 direitos humanos sistematicamente violados, dentre os quais merecem destaque o direito à informação e à participação; o direito à liberdade de reunião, associação e expressão; o direito de ir e vir; o direito ao trabalho e a um padrão digno de vida; direito à moradia adequada; direito à melhoria contínua das condições de vida e direito à plena reparação das perdas[1].
Garabi e Panambi: a história se repete
As notícias relacionadas à construção de duas novas megabarragens, Garabi e Panambi, previstas para o já "fragilizado e castigado" rio Uruguai e a falta de informação pública fez com que no final de janeiro e início de fevereiro de 2014 um grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) visitasse a região Noroeste do estado, especificamente os municípios de Alecrim e Porto Mauá, dois dos 19 municípios que poderiam ser atingidos. Durante quatro dias, o grupo visitou comunidades e áreas próximas ao rio Uruguai, participou de reuniões, de entrevistas a rádio local e, principalmente, recebeu muitos pedidos de informações acerca dos impactos desses dois barramentos.
O que se percebeu foi uma enorme situação de insegurança e incerteza das famílias e das comunidades devido à falta de informações, situação que se repete de forma deliberada por parte dos responsáveis pelos projetos já que quando há alguma informação esta é dada de forma incompleta ou desvirtuada, pelos próprios interessados nas obras. Neste aspecto, entenda-se, o Setor Elétrico, formado por Eletrobrás, Ministério de Minas e Energia, governos federal e estadual e empresas contratadas para efetivarem os estudos iniciais, entre as quais destaca-se a Engevix, a mesma empresa que fraudou o EIA-RIMA de Barra Grande. Essa informação ?oficial? possui alguns elementos: incerta, quando se refere aos questionamentos sobre os reais impactos, empregando-se os mais variados subterfúgios; e tendenciosa, pró-empreendimento usando-se do ?fato consumado?, sem sequer ponderar a sua viabilidade, pois não possui nenhum estudo ambiental e por conseqüência nenhum licenciamento, atropelando a situação por meio do repasse de dados não condizentes com a realidade, principalmente ocultando a história de conflitos socioambientais na construção de outras barragens na região. E para isso alguns lobbies formados por políticos interessados nos dividendos econômico-eleitorais auxiliam o círculo vicioso da desinformação.
O conflito já está instalado na região. Em agosto de 2013, após dois dias de mobilização, os atingidos conseguiram paralisar os trabalhos e estudos sobre as obras realizados por empresas que invadiram os terrenos de pequenos agricultores sem autorização e conhecimento dos proprietários. Além da retirada das máquinas de sondagem, outro compromisso cobrado dos responsáveis foi a necessidade de apresentar as informações, até então sonegadas, e a garantia de audiências locais, a fim de que saibam da opinião da população ameaçada pelos empreendimentos. Nas reuniões que ocorreram, uma delas na distante cidade de Santa Rosa, e não em Porto Mauá que seria atingida em 75% de seu perímetro urbano, prevaleceram as ?informações? da Eletrobrás, como de praxe tendenciosas, vazias e desencontradas, quanto aos principais questionamentos socioambientais.
O MAB, por meio de uma reunião realizada com o governo do estado, conseguiu o compromisso verbal de, junto com a Eletrobrás e o próprio governo, planejar e organizar as reuniões nas comunidades e nos municípios. Mas, como era de se esperar, infelizmente, esse acordo não foi cumprido e o Setor Elétrico e governos estão realizando essas reuniões, que são muito mais propagandas enganosas, nos municípios sem a participação do MAB.
Assim como na década de 1980, quando a resistência da região não permitiu a realização do Complexo Garabi, várias pessoas e setores da sociedade estão mobilizados e fazendo o contraponto, principalmente informacional, entre os quais se destacam o MAB, a colônia de pescadores, a rádio Navegantes AM, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, a pastoral social e a Igreja Católica da Diocese de Santo Ângelo, entre outros grupos organizados.
Após quatro anos do lançamento do relatório e com os novos conflitos gerados na construção de hidrelétricas no país, com destaque negativo para as desastrosas hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, agora na região Noroeste do estado, verifica-se que a situação não evoluiu, e até retrocedeu, pelo não cumprimento por parte do Setor Elétrico das recomendações feitas nos relatórios oficiais nacionais e internacionais. Um setor que, atrelado a gigantescas empreiteiras e a políticos do grupo do Senador Sarney, resgata e recauchuta projetos da década de 1970, gerando outras tantas violações dos direitos humanos sobre os atingidos, agora ameaçando também o que resta do rio Uruguai, nos megaempreendimentos de Garabi e Panambi (75 mil hectares de áreas alagadas), podendo afetar dezenas de milhares de pessoas.
Por isso, quando dizemos "Não à Garabi e Panambi", além de estarmos defendendo o belo e majestoso Rio Uruguai, seus afluentes, com suas corredeiras, florestas e áreas rurais de altíssima fertilidade, estamos nesta luta juntos com os habitantes da região, que resistem a esta insanidade. Para isso, nos aliamos aos agricultores, pescadores, comunidades ribeirinhas, veranistas de seus balneários, moradores das cidades potencialmente atingidas. Vamos cobrar a defesa da Constituição Federal que, em seu Art. 225, veda ações que promovam a extinção de espécies da flora e da fauna, como o caso do dourado, já ameaçado pelas barragens rio acima, assim como impedir que isso tudo continue afetando o Salto do Yucumã e o Parque Estadual do Turvo.
Queremos dizer que é possível e necessário Um Outro Modelo Energético, Público, com e para o povo, e assim estamos defendendo os direitos humanos, o direito de resistência e o direito de viver! Garabi e Panambi não passarão!
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[1] Segue os demais direitos: Direito à educação; Direito a um ambiente saudável e à saúde; Direito à justa negociação e tratamento isonômico, conforme critérios transparentes e coletivamente acordados; Direito À cultura, às práticas e aos modos de vida tradicionais, assim como ao acesso e preservação de bens culturais, materiais e imateriais; Direitos dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; Direito de grupos vulneráveis a proteção especial; Direito de proteção à família e a laços de solidariedade social ou comunitária; Direito de acesso à justiça e a razoável duração do processo judicial; Direito à Reparação por perdas passadas.
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Eduardo Luís Ruppenthal é professor de Biologia, biólogo e mestre em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS). É também membro do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (MoGdema), InGá (Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais) e Movimento Rio Uruguai Vivo.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Manifesto em defesa das árvores de Porto Alegre
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| Tipuana derrubada na Usina do Gasômetro. (Foto: Facebook) |
Estamos presenciando um verdadeiro “arboricídio” em Porto Alegre. A cidade que um dia se orgulhou de ser uma das mais verdes do país sofre, a cada ano, com a remoção de milhares de árvores. Os dados mais recentes divulgados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), referente a 2012, registra a derrubada de 4.061 árvores naquele ano, número que, segundo a Smam, deve se repetir na contabilidade de 2013.
São dados que a Agapan, entidade de defesa do ambiente natural com mais de quatro décadas de atuação, lamenta profundamente.
O argumento de defesa utilizado pela Smam, de que no lugar das árvores suprimidas, muitas outras foram plantadas (em 2012, teriam sido 26 mil mudas, todas no Parque Saint Hilaire) não é convincente: há indicativos de que boa parte dessas plantas morrem muito antes de se tornarem adultas, o que, de qualquer maneira, só ocorre após 20 ou 30 anos de cultivo adequado. Além disso, essas mudas estão distantes das áreas das árvores suprimidas. Ou seja, a sombra e a umidade, que tanto nos fazem falta em dias cálidos, ou a penetração das raízes no solo, que permite evitar ou reduzir os efeitos locais de chuvas intensas – os alagamentos, por exemplo –, só alcançarão níveis semelhantes aos daqueles exemplares que nos foram sonegados pelo poder público dentro de algumas décadas. Isso, claro, se novas demandas de obras não a cortarem no futuro para viabilizarem novas obras.
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| Obra na avenida Plínio Brasil Milano sem travessia de pedestres e sem ciclovia no projeto. (PMPA) |
O “desenvolvimento” proposto pelas administrações públicas é anacrônico e autodestrutivo, porque é direcionado ao constante aumento do uso de veículos poluentes e contra a preservação das árvores, que têm o poder de sequestrar o CO2 da atmosfera e refrescar os ambientes onde estão inseridas, climatizando microclimas e melhorando o ar.
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| Propaganda de transformação "Verde para o Bairro" da Prefeitura Municipal. (Foto: Agapan) |
Pior ainda: segundo estudos divulgados pelos pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA), o ar de Porto Alegre já é duas vezes mais poluído do que o recomendado pelos padrões internacionais. Em alguns momentos do dia esse índice é ainda mais preocupante.
Quanto mais árvores suprimirmos, mais ficaremos expostos a doenças que a Organização Mundial de Saúde (OMS) associa à contaminação do ar: câncer de pulmão e de bexiga e distúrbios cardiorrespiratórios. A OMS também alerta que a redução do ar puro no ambiente urbano pode provocar nascimentos prematuros.
O caminho sugerido pelo Executivo municipal é suicida, sem volta. Por isso, não podemos concordar com o andamento das obras públicas de Porto Alegre, que destroem o que é importante para erguer concreto e asfalto.
Nesse modelo escolhido pelos administradores, nem arrancando todas as árvores de Porto Alegre resolveremos o problema da falta de pistas de rolamento, visto que o número de automóveis cresce dia a dia, tanto pelo incentivo do governo federal, que reduz impostos sobre esses produtos, quanto pelo aumento do poder aquisitivo de parte da população. A frota de veículos do RS ultrapassou a marca de cinco milhões de veículos em circulação no ano de 2011, segundo dados dos Detran RS. Nesse ano (2014), devemos ter mais de seis milhões. Nesse ritmo, a média de crescimento da frota fica em um milhão de veículos a cada três anos.
As manifestações públicas do inverno de 2013 na capital gaúcha registraram a insatisfação da população porto-alegrense, que se mostra crescente a cada novo bosque derrubado para a duplicação de uma via expressa.
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| Jovem sobe na Tipuana da Usina do Gasômetro em fevereiro de 2013. ( Foto: Facebook) |
Antes disso, em fevereiro de 2013, três jovens subiram em uma Tipuana diante da Usina do Gasômetro para impedir a derrubada das 110 árvores para uma obra de mobilidade da Copa do Mundo 2014. A prefeitura não apenas prendeu os 27 acampados que se mobilizaram pela preservação desse bem natural e comum, como, apesar do engajamento de uma parcela substancial da população através de redes sociais e de audiência pública, jamais aceitou alterar o projeto com as sugestões da cidadania.
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| Acampamento e defesa das árvores da Usina do Gasômetro. (Foto: Cardia) |
Parece-nos, portanto, que nossos gestores optaram pela forma menos democrática de empreender projetos urbanos, sem considerar os apelos dos moradores, técnicos em mobilidade como os arquitetos e nós, os ambientalistas.
Por isso, a Agapan se manifesta contrária à derrubada de árvores que vem ocorrendo em Porto Alegre em função de projetos urbanísticos e obras que não foram devidamente discutidas e solicitadas pela sociedade porto-alegrense.
Refazer tais projetos com vontade de diminuir erros e buscar alternativas sustentáveis é o que a cidadania espera e irá aplaudir. Não é vergonha para um administrador voltar atrás, pelo contrário, seria uma corajosa demonstração de boa vontade e preocupação com o futuro de uma cidade.
Defendemos um modelo de cidade autônoma, harmônica, socialmente justa e ecologicamente sustentável. Acreditamos em um mundo desenvolvido que respeite as nossas riquezas naturais, nosso patrimônio cultural e ambiental. E lutamos por ele.
Solicitamos que as 1.500 árvores da Avenida Tronco, as oito árvores da Praça Júlio Mesquita, as 198 árvores da Anita Garibaldi, as 200 da Cristóvão Colombo e as 200 da Plinio Brasil Milano sejam preservadas em seus locais atuais. Nenhuma árvore a menos!
Porto Alegre, 29 de janeiro de 2014.
Agapan – A Vida Sempre em Primeiro Lugar!
www.agapan.org.br
Contato: agapan@agapan.org.br
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Novembro: Realização do CBA-Agroecologia entra em contagem regressiva
A menos de 20 dias do início do VIII Congresso Brasileiro sobre Agroecologia, que acontece de 25 a 28 deste mês, em Porto Alegre, os preparativos estão acelerados. Palestras, conferências, oficinas, mostras audiovisuais e fotográficas, acampamento, atividades artísticas e pôsteres relatando diversas experiências na área vão apresentar o que agricultores, pesquisadores e estudantes têm realizado no Brasil e em outros países. Com o tema central “Cuidando da Saúde do Planeta”, a programação estará dividida nos seguintes eixos temáticos: 1) Agroecologia e Saúde Humana; 2) Reinventando a economia; 3) Diversidade como condição fundamental da saúde do Planeta; 4) Agroecologia como base para a educação; e 5) Saúde do Agrossistema.
O CBA-Agreocologia é realizado paralelo aos Seminários Estadual (XIII) e Internacional (XII) sobre Agroecologia. Nos quatro dias de Congresso, realizado no Centro de Eventos da Puc, serão apresentados 1.056 trabalhos orais e por meio de pôsteres. De caráter nacional e internacional, o número de submissões de artigos e relatos de experiências foi 25% superior aos inscritos na edição anterior. Os selecionados serão publicados na Revista Cadernos de Agroecologia, da ABA-Agroecologia, promotora do evento. (Segue link para acessar a lista com os trabalhos selecionados na categoria pôster e apresentação oral. Os trabalhos estão organizados pelos nomes dos artigos: http://www.cbagroecologia.org.br/images/posteres_ordenados_por_título.pdf e http://www.cbagroecologia.org.br/images/apresentações_orais_ordenadas_por_título.pdf). A listagem completa está no site http://www.cbagroecologia.org.br/trabalhos-aceitos.
OFICINAS
Entre as mais de 40 oficinas previstas para acontecer no Clube Farrapos, próximo à Puc, destaque para a organizada pela Agapan e pelo Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (Gea), que vai tratar do avanço dos transgênicos, contaminação do milho, problemas socioeconômicos gerados e o que está sendo articulado para recuperar os prejuízos. Participam desta oficina um pesquisador uruguaio, uma pesquisadora boliviana que trabalha na Noruega e uma jornalista brasileira que trabalha com estudos da soja. A oficina sobre os transgênicos será dia 26, no Clube Farrapos, durante a Tertúlia organizada pela Via Campesina.
Com a participação de diversos movimentos sociais, a ideia das oficinas é capacitar e proporcionar às pessoas um posicionamento em relação a diversos temas. Entre as oficinas propostas, estão também sobre Jardinagem de Guerrilha, Confecção de artesanato à base de fibra de bananeira, Composteira doméstica, Trilha de percepção e sensibilização ambiental e Pirâmide para práticas integrativas corpo-mente. As inscrições devem ser feitas no primeiro dia do Congresso (25/11). Veja as oficinas selecionadas para o evento pelohttp://www.cbagroecologia.org.br/images/AQUI%20oficina%20pro%20SITE.pdf
HOSPEDAGEM
Entre as opções de hospedagem previstas para durante o CBA-Agroecologia, há a possibilidade de acampar junto ao Clube Farrapos, próximo do local do evento, e a hospedagem solidária. A ideia é que esse grupo se autogestione e que os interessados se encontrem para viabilizar as hospedagens. Para isso, foi criada uma tabela online com as abas, no inferior da página, "posso hospedar" e "quero me hospedar", para facilitar a visualização das vagas e dos interessados. Segue os links: https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AqhOnFdbv-zXdHM1MDRleW1RVmVxdGM5R1AyR2xRX0E&usp=sharing#gid=1
Já o acampamento acontece no Clube Farrapos, onde será realizado o 5º Encontro Nacional dos Grupos Agroecológicos (5º Enga), paralelo ao VIII CBA-Agroecologia. Para esse espaço, a efetivação da inscrição individual garante alimentação, hospedagem em acampamento e participação nos dois eventos (com certificado). Para inscrições até 10 de novembro, R$ 100,00. Após e até a data do evento, R$ 120,00. As inscrições são limitadas e podem ser feitas pelohttps://docs.google.com/forms/d/1EghS6zo6ILq--mvuCq9nT5YeIhbUuOxzN8kxx64qIt0/viewform. Mais informações pelohttp://regabrasil.wordpress.com/5o-enga/inscricoes/
Grupo Público no facebook:https://www.facebook.com/groups/615159588527537/
Para os participantes, o CBA-Agroecologia oferece várias opções de hospedagem e de passeios, que podem ser acessados através do sitehttp://www.ligaturismo.com.br/eventos/188-viii-congresso-brasileiro-de-agroecologia. Atenção para os horários de transfer do evento, que deverá ser adquirido com antecedência para realização de reserva.
VÍDEO E SPOT PROMOCIONAIS
Estão disponíveis no site do CBA-Agroecologia (http://www.cbagroecologia.org.br/) o spot de rádio e o vídeo promocional, produzido pela Gerência de Comunicação da Emater/RS-Ascar. No link do spot de rádio, poderá ser feito o download do arquivo para ser utilizado por quem tiver interesse em veicular e promover o Congresso em sua rádio. Acesse pelohttps://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/118133015
Já o vídeo promocional, acesse pelo http://www.youtube.com/watch?v=PgmTvPA3APA
CADASTRO IMPRENSA E INSCRIÇÕES
Jornalistas interessados em participar do Congresso ou mesmo para entrevistar conferencistas, oficineiros e participantes, devem preencher o formulário de inscrição, no link abaixo:
https://docs.google.com/forms/d/1CWeFefBr9iJR-E725dfkmnIQmsOGevqVC4dQS8rhSDk/viewform
Com o cadastro efetuado, você poderá retirar seu crachá de imprensa durante o credenciamento do VIII CBA Agroecologia.
http://www.cbagroecologia.org.br/contato/imprensa
Para participar, as inscrições estão abertas e podem ser feitas através do sitehttp://www.cbagroecologia.org.br. O valor para estudantes é R$ 80,00 e para profissionais e técnicos, R$ 120,00. Agricultores e agricultoras estão isentos da taxa de inscrição.
Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar
Informações
Assessoria de Imprensa do VIII CBA-Agroecologia
Jornalista da Emater/RS-Ascar, Adriane Bertoglio Rodrigues
domingo, 10 de novembro de 2013
Agapan Debate na próxima segunda-feira dia 11/11
O que as cidades devem ter para que sejam consideradas ideias para se viver? Praças, árvores, ciclovias e espaços públicos com equipamentos esportivos e de lazer, ou com muitos carros, trânsito congestionado, poluição e doenças respiratórias?
Venha debater “A cidade que queremos”, tema do Agapan Debate do próximo dia 11, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. A entrada é gratuita.
Participam do Agapan Debate o arquiteto e presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RS), Tiago Holzmann da Silva, e Milton Cruz, sociólogo voltado para a análise da participação social em processos de elaboração de políticas públicas, como a política de planejamento urbano e a representação dos atores envolvidos. “Pretendo fazer uma reflexão sobre a coerência, ou não, das ações e dos meios disponíveis e utilizados para implementar a cidade que queremos”, antecipa Cruz.
Agapan Debate
Dia 11 de novembro, às 19h, na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs
Entrada Franca
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
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